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Energia do Futuro? Depende do Problema: Hidrogênio, Biometano e Elétricos São Peças de um Quebra-Cabeça Energético

Por EnergyChannel | Bate-papo com especialistas


Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, recebeu hoje no estúdio Eustáquio Sirolli, MSc., consultor especializado em veículos movidos a hidrogênio e células de combustível, para mais um episódio da série de entrevistas sobre o futuro da mobilidade e da matriz energética no Brasil.


Energia do Futuro? Depende do Problema: Hidrogênio, Biometano e Elétricos São Peças de um Quebra-Cabeça Energético

Durante a conversa, Sirolli compartilhou mais de 40 anos de experiência no setor automotivo e de energia, debatendo os caminhos possíveis para descarbonizar o transporte no país e destacando um ponto fundamental: não existe solução única quando o assunto é energia do futuro.

“A resposta correta é: depende do problema. O futuro da energia é uma caixa de ferramentas, não uma bala de prata. Cada região, cada operação logística ou tipo de frota precisa de uma solução própria, seja elétrica, a biometano, a hidrogênio ou, em alguns casos, até diesel com eficiência melhorada”, explicou Sirolli.

Metano e Biometano: primeiros passos da descarbonização

Sirolli relembrou sua participação em projetos pioneiros com metano ainda na década de 1980, quando participou da criação de um ônibus movido a gás na Mercedes-Benz, muito antes do biometano ganhar relevância.

“Em 1984, quando falávamos em metano, ainda não se usava o termo biometano. Hoje, o biometano é uma das melhores alternativas para transporte pesado em regiões agrícolas, como no setor sucroenergético”, destacou.

O consultor defende que grandes usinas e produtores de biomassa deveriam pensar em aproveitar o biometano local para abastecer suas próprias frotas, tornando o transporte mais limpo e eficiente.

Caminhões a LNG: testes já realizados e tecnologia pronta

Sirolli também participou da introdução de caminhões chineses a LNG (gás natural liquefeito) no Brasil, em um projeto de testes iniciado em 2018.

“Testamos caminhões movidos a LNG na Serra de Santos e comprovamos desempenho equivalente aos modelos diesel na tração e no freio motor. A diferença é que são mais silenciosos e têm menor impacto ambiental”, contou.

A limitação à época foi a potência dos motores, mas hoje, com a evolução tecnológica, já existem modelos a LNG com mais de 560 cavalos, comparáveis aos caminhões diesel mais potentes do mercado.

Segundo ele, a expertise chinesa no LNG é referência mundial, fruto de uma estratégia definida há mais de uma década para reduzir a poluição nas cidades e diversificar a matriz energética.

Hidrogênio: hora de parar de falar e começar a fazer

Um dos destaques do bate-papo foi o papel do hidrogênio, especialmente no transporte rodoviário. Sirolli defendeu a criação de um corredor de abastecimento de hidrogênio entre São Paulo e Rio de Janeiro, aproveitando o maior fluxo logístico do país.

“Hoje no Brasil se fala muito de hidrogênio e se faz pouco. Brasília vai inaugurar agora em outubro a primeira estação pública de abastecimento de hidrogênio para ônibus. Por que não fazer o mesmo entre São Paulo e Rio?”, questionou.

Sirolli explicou que o investimento inicial em uma estação com eletrólise gira em torno de R$ 60 milhões, mas o impacto ambiental seria imenso, com emissões praticamente zeradas no transporte de carga pesada.

Hidrogênio líquido: a aposta para o futuro

Segundo o especialista, o hidrogênio líquido deve ser a alternativa mais prática no longo prazo, tanto para caminhões quanto para carros de passeio.

“O hidrogênio líquido permite uma adaptação mais rápida porque você consegue usar os mesmos espaços físicos dos tanques de diesel e gasolina. Isso preserva o layout do veículo e a capacidade de carga, sem sacrificar autonomia”, explicou.

Ele citou o exemplo do Toyota Mirai, modelo a hidrogênio já utilizado na China e na Europa, que chegou a rodar 1360 km com um único abastecimento.

Diesel verde e eficiência também fazem parte do jogo

Além do hidrogênio e do biometano, Sirolli lembrou que o Brasil é um dos poucos países do mundo com soluções já em operação para descarbonizar tanto a gasolina (com o etanol) quanto o diesel (com o diesel verde produzido pela BE8).

Ele destacou o exemplo da Grunner, empresa que desenvolveu colhedoras de cana de açúcar baseadas em caminhões adaptados, conseguindo reduzir em 50% o consumo de diesel nas operações agrícolas. Um convite para a Grunner participar do EnergyChannel foi feito ao final do programa.

Conclusão: a energia do futuro é plural

Na visão de Eustáquio Sirolli, a descarbonização do transporte não depende de uma única tecnologia.

“O futuro da energia é um mix. A gente vai usar diesel melhorado, biometano, gás liquefeito, carro elétrico na cidade, hidrogênio em longas distâncias e energia elétrica injetada na rede pelas usinas. A chave está em usar a ferramenta certa para cada necessidade”, concluiu.

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