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Entre o calor do subsolo e o impasse político: Califórnia trava avanço da energia geotérmica

Mesmo com vasto potencial e crescente demanda por energia limpa, decisões políticas e entraves regulatórios continuam freando o desenvolvimento geotérmico no estado líder em transição energética dos EUA.


Entre o calor do subsolo e o impasse político: Califórnia trava avanço da energia geotérmica
Entre o calor do subsolo e o impasse político: Califórnia trava avanço da energia geotérmica

A Califórnia vive uma contradição cada vez mais evidente: embora esteja sentada sobre um dos maiores potenciais geotérmicos do planeta, o estado continua dificultando a expansão dessa fonte de energia limpa e contínua.


O impasse ganhou novo capítulo neste mês, quando o governador Gavin Newsom vetou um projeto de lei amplamente apoiado pela indústria e pelo legislativo estadual a AB 527 que visava simplificar a permissão de novos projetos geotérmicos. O texto criava exceções à complexa legislação ambiental da Califórnia, o California Environmental Quality Act (CEQA), permitindo que empresas realizassem perfurações exploratórias sem enfrentar longos e custosos processos judiciais.


Segundo Newsom, a proposta “geraria custos adicionais e exigiria aumento de taxas sobre os operadores geotérmicos”. Mas a justificativa não convenceu o setor. Para especialistas e empresas, o veto representa mais um obstáculo político que pode atrasar investimentos e a expansão de uma das fontes de energia mais estáveis e sustentáveis do estado.

“Foi um movimento difícil de entender. A Califórnia precisa desesperadamente de geração firme e limpa, e a geotermia é exatamente isso”, afirmou Joel Edwards, cofundador da startup Zanskar, que atua em tecnologias de exploração geotérmica avançada.

Um setor que enfrenta o próprio solo e a burocracia

O caso remete a outro episódio emblemático: a expansão da usina Mammoth Pacific, iniciada em 2004 e concluída apenas em 2022, após quase duas décadas de disputas ambientais e processos judiciais. O projeto, localizado próximo ao Parque Nacional de Yosemite, enfrentou uma longa batalha legal movida por grupos ambientais preocupados com possíveis emissões e impactos no lençol freático.


O resultado: o último grande projeto geotérmico construído na Califórnia levou 17 anos para sair do papel um exemplo do labirinto burocrático que inibe novos investimentos no setor.


Potencial imenso, energia escassa

A Califórnia abriga o maior complexo geotérmico do mundo, The Geysers, em operação desde 1960. Mesmo assim, a participação dessa fonte na matriz elétrica californiana permanece pequena em comparação com solar e eólica.


O paradoxo é evidente: enquanto o estado avança em metas ambiciosas de descarbonização e enfrenta desafios com a queda da geração hidrelétrica por conta das secas, a geotermia uma alternativa estável, sem emissão de carbono e disponível 24 horas por dia continua subaproveitada.


Hoje, com o fechamento de usinas nucleares, restrições à construção de novas plantas atômicas e dependência crescente do gás natural, a energia geotérmica surge como uma das poucas soluções viáveis para garantir energia firme e limpa no longo prazo.


A nova fronteira da geotermia

Empresas de tecnologia e startups estão apostando em soluções de “nova geração”, capazes de extrair calor de rochas secas e profundas técnicas inspiradas na perfuração do setor de petróleo e gás. Essa abordagem pode ampliar exponencialmente as áreas viáveis para geração geotérmica, incluindo regiões hoje consideradas inviáveis.


Entretanto, como toda inovação subterrânea, a técnica ainda levanta preocupações sobre riscos sísmicos, especialmente em um estado tão propenso a terremotos quanto a Califórnia.


O dilema californiano

O veto de Newsom à AB 527 reforça uma tensão crescente entre proteção ambiental e urgência climática. De um lado, a Califórnia quer liderar a transição energética global. De outro, suas próprias regras ambientais criadas décadas atrás para frear a degradação estão hoje travando o avanço de tecnologias que poderiam justamente reduzir impactos ambientais a longo prazo.


Enquanto isso, desenvolvedores e investidores seguem esperando que o estado encontre um caminho mais equilibrado entre rigor ambiental e inovação energética.

“A geotermia é o elo perdido da transição limpa. Está debaixo dos nossos pés só precisamos permitir que ela floresça”, resume Edwards.

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