Baterias de grande porte redefinem o jogo da transição energética
- EnergyChannel Brasil
- há 17 minutos
- 3 min de leitura
Nas últimas semanas, o que se observa na Austrália expõe uma virada histórica: as baterias de grande escala antes vistas como coadjuvantes assumem hoje papel central na estabilidade e no futuro da rede elétrica, abrindo caminho para o fim da dependência de usinas a carvão.

Recordes emblemáticos: baterias batem marcas de carga e oferta
Na última quinta-feira, às 12h45, as baterias conectadas à rede atingiram um pico inédito de carga coletiva de 2,26 GW quase 20% acima do recorde anterior, divulgado apenas dois dias antes. Há um ano, esse valor mal chegava a 875 MW.
Mesmo com a maior bateria do país uma instalação de 850 MW / 1680 MWh — fora de operação para manutenção, o volume de baterias em operação superou expectativas e demonstrou a robustez da estratégia.
Além disso, durante picos de demanda noturna, as baterias chegaram a responder por 40% da energia fornecida em um momento no estado de South Australia onde a rede já é avançada no uso de renováveis. Nessa situação, as usinas a gás foram relegadas a um papel marginal.
Baterias “formadoras de rede”: infraestrutura essencial para aposentar o carvão
O verdadeiro divisor de águas está no uso crescente de baterias com inversores “grid-forming” ou seja, capazes de gerar sua própria forma de onda elétrica e fornecer serviços essenciais de estabilidade: controle de voltagem, resposta a falhas, inércia sintética e suporte de frequência.
Segundo relatório de uma agência de fomento, com financiamento governamental, grande parte dos novos projetos de baterias já incorpora essa tecnologia transformando-as de simples reservatórios de energia em pilares da operação elétrica moderna.
Para muitos operadores de rede, essa capacidade significa que as baterias não servem apenas como complemento à energia renovável, mas como a espinha dorsal de um sistema elétrico confiável garantindo que, mesmo com o desligamento de usinas a carvão, a rede continue segura.
Da Austrália para o mundo: lições para a transição energética global
O que ocorre hoje na Austrália um dos mercados de energia mais avançados do mundo serve como um case inspirador para outros países que buscam acelerar a transição energética.
Baterias grandes, combinadas com renováveis intermitentes como solar e eólica, equilibram oferta e demanda, suavizando oscilações.
O uso de baterias com tecnologia de “grid-forming” torna desnecessária a manutenção de usinas térmicas antigas apenas para prover segurança de rede reduzindo emissões e custos operacionais.
O modelo permite escalabilidade rápida: baterias podem ser instaladas com mais agilidade e menor impacto ambiental que grandes usinas térmicas.
O que isso significa para o Brasil e por que devemos observar de perto
Mesmo com realidades distintas, o exemplo internacional reforça uma mensagem clara para o Brasil: o armazenamento de energia em larga escala é a peça que falta para consolidar a transição para matrizes limpas de forma confiável.
Com a crescente penetração da energia solar e eólica em especial no contexto residencial, comercial e industrial, soluções de armazenamento podem ajudar a suavizar a intermitência, aumentar a confiabilidade da rede e dar suporte a apagões ou picos de demanda
Além disso, o avanço de tecnologias como inversores “grid-forming” indica que, no futuro, baterias poderão entregar não só armazenamento, mas também estabilidade de rede eliminando a dependência de termelétricas e gerando mais flexibilidade para o sistema elétrico nacional.
Para o Brasil, que vive um momento de expansão das renováveis e enfrenta desafios de infraestrutura, o desenvolvimento de políticas públicas e investimentos em armazenamento especialmente em sistemas híbridos (solar + bateria) pode acelerar uma transição energética mais limpa, eficiente e segura.
A era das “big batteries” chegou. O recente recorde de carga e participação na oferta elétrica na Austrália, somado à adoção generalizada de baterias com tecnologia “grid-forming”, revela que o futuro da eletricidade não é só renovável, é também inteligente e confiável.
O país mostra que é possível aposentar o carvão sem sacrificar a estabilidade da rede, e entrega ao mundo um modelo replicável: com armazenamento de energia de grande escala, rede forte e firmeza, a transição energética deixa de ser um sonho e se torna uma realidade concreta.
Baterias de grande porte redefinem o jogo da transição energética








