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Biomassa em debate: modelo industrial de energia “verde” na América Latina acende alerta sobre impactos sociais e ambientais

Enquanto governos promovem a biomassa como solução para descarbonizar a economia, estudos apontam riscos de desmatamento, escassez hídrica e concentração de terras na região.


Biomassa em debate: modelo industrial de energia “verde” na América Latina acende alerta sobre impactos sociais e ambientais
Biomassa em debate: modelo industrial de energia “verde” na América Latina acende alerta sobre impactos sociais e ambientais

A crescente aposta da América Latina na biomassa como alternativa energética sustentável vem gerando novas discussões sobre o verdadeiro custo ambiental e social dessa transição. Um novo levantamento do Biomass Action Network, em parceria com a Global Forest Coalition, coloca em evidência os impactos da produção de energia a partir de biomassa em escala industrial, especialmente em países como Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.


O estudo aponta que, apesar de ser apresentada como uma fonte “limpa” e “renovável”, a biomassa tem sido associada a desmatamento, perda de biodiversidade, exploração trabalhista e conflitos fundiários em comunidades rurais.


“Aço verde” e monoculturas: um modelo que preocupa

De acordo com o relatório, a produção de carvão vegetal utilizado na fabricação de “aço verde” no Brasil e no Paraguai depende de milhões de toneladas de madeira oriunda de plantações de eucalipto e pinus. Essas monoculturas, embora classificadas como florestas renováveis, acabam substituindo ecossistemas nativos, comprometendo recursos hídricos e, em muitos casos, levando à expulsão de comunidades locais.


Além disso, denúncias de condições precárias de trabalho e casos de trabalho análogo à escravidão ainda são recorrentes em regiões produtoras de carvão vegetal, o que coloca em xeque a narrativa de sustentabilidade associada a esse tipo de energia.


Setor de papel, celulose e agronegócio intensificam o uso da biomassa

Outro ponto destacado no documento é a integração crescente de usinas termelétricas a biomassa nas operações de empresas de celulose e papel. Essas indústrias utilizam resíduos florestais e agrícolas como combustível para gerar energia, o que, segundo o estudo, mascara a intensificação de modelos produtivos baseados em grandes plantações e na exploração intensiva de recursos naturais.


No agronegócio, a biomassa vem sendo usada para o aquecimento e secagem de grãos e no abastecimento de refinarias de etanol, ampliando o vínculo entre o setor energético e a concentração de terras em poucas mãos.


Efeitos sobre clima, biodiversidade e comunidades

Os impactos ambientais vão além da perda de cobertura vegetal. O uso intensivo de água nas plantações de eucalipto e a queima de biomassa em larga escala também geram desequilíbrios hídricos e emissões indiretas de carbono. O relatório ainda critica o que chama de “contabilidade climática falha”, já que parte das emissões de biomassa não é devidamente contabilizada em inventários oficiais.


Socialmente, o avanço das plantações industriais de biomassa tem gerado tensões com povos indígenas, comunidades quilombolas e agricultores familiares, que veem suas terras sendo disputadas por grandes corporações e projetos de energia.


COP30 e o papel do Brasil na bioeconomia global

A publicação surge em um momento estratégico: às vésperas da COP30, que será sediada em Belém (PA), o Brasil pretende apresentar a bioenergia como um dos pilares de sua política de descarbonização. O compromisso “Belém 4X”, que busca quadruplicar a produção de biocombustíveis até 2035, é citado no relatório como exemplo de como o discurso da “transição verde” pode ocultar práticas insustentáveis.


Os autores defendem que uma verdadeira transição energética deve priorizar modelos de manejo florestal comunitário, agroecologia e sistemas descentralizados de energia renovável pautados por justiça social e participação local.


Um novo olhar para a transição energética

Para o EnergyChannel, o debate em torno da biomassa industrial é essencial para repensar o papel da América Latina na transição energética global. O continente reúne vastos recursos naturais e potencial para liderar uma revolução verde, mas também enfrenta desafios históricos de desigualdade, exploração e concentração fundiária.

Como destaca o relatório, “a descarbonização não pode ocorrer à custa de comunidades e ecossistemas”. O futuro da energia sustentável na região dependerá de políticas que equilibrem eficiência climática, responsabilidade social e respeito aos direitos territoriais.


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