Brasil testa nova geração de usinas solares flutuantes com rastreamento automático do Sol e promete salto de eficiência
- Energy Channel Global

- Dec 3, 2025
- 3 min read
Em meio à corrida global por fontes renováveis de alta performance, uma tecnologia brasileira começa a chamar atenção no setor fotovoltaico internacional: ilhas solares flutuantes capazes de acompanhar o movimento do Sol, combinando engenharia de precisão, automação avançada e ganhos energéticos acima do padrão mundial.

Desenvolvido pela Apollo, o sistema apresentado ao EnergyChannel representa uma mudança estrutural no modelo de geração flutuante até então baseado, quase sempre, em plataformas estáticas orientadas para o Norte.
A proposta agora é ir além: usar rastreamento solar (tracking) diretamente sobre a água, ampliando a produtividade e abrindo caminho para aplicações de grande escala, inclusive para alimentar futuros datacenters de inteligência artificial.
Estruturas maiores, mas criadas para escalar
Embora os módulos flutuantes da Apollo pareçam maiores e mais robustos que os utilizados em projetos internacionais, o design não é excesso é estratégia.
Segundo a empresa, o sistema foi concebido para suportar expansões em larga escala, tanto em potência quanto em funcionalidades. Isso significa que uma ilha inicialmente instalada como estrutura fixa pode ser convertida para operação com rastreamento solar com mínimas mudanças mecânicas e apenas ajustes no software de controle.
A engenharia por trás do movimento
A operação das ilhas segue uma lógica diária própria. Às 5h da manhã, o conjunto que pode chegar a 3 MWac / 3,65 MWp e pesar cerca de mil toneladas começa a liberar automaticamente seus 32 cabos de ancoragem, dando início ao deslocamento controlado para Leste, impulsionado por propulsores de jato d’água trifásicos, projetados para até 50 mil horas de operação sem manutenção.
Ao nascer do Sol, a ilha já está posicionada no ângulo ideal para receber a primeira incidência de radiação. Durante o dia, os sistemas de ancoragem automática e propulsão trabalham em conjunto para que toda a plataforma e, consequentemente, os módulos fotovoltaicos acompanhe a trajetória do Sol.
12h → posição voltada para o Norte
Pôr do Sol → posição Oeste
Fim do dia → retorno ao ponto inicial
Em condições climáticas severas, o software assume um modo de segurança semelhante aos trackers terrestres, orientando a estrutura para a posição de menor impacto do vento até a normalização.
Até 18% mais energia entregue à rede
A principal vantagem do sistema está no achatamento da curva de geração. Como a plataforma ajusta a inclinação e a orientação ao longo do dia, os módulos atingem seu melhor desempenho muito mais cedo, mantendo alta eficiência até próximo do pôr do Sol.
Os testes iniciais da Apollo apontam que:
O ganho bruto chega a 20% na energia produzida.
Considerando o consumo dos sistemas de automação e propulsão, o ganho líquido se mantém em até 18%, índice considerado expressivo para plantas flutuantes de grande porte.
O acréscimo de CAPEX é compensado rapidamente pelo aumento de geração, acelerando o payback.
No OPEX, o impacto é mínimo: o ancoramento automatizado já faz parte do projeto padrão, enquanto os propulsores de longa vida útil e o software autogerenciável exigem manutenção reduzida.
Tecnologia desenhada para a demanda da IA
Com a explosão dos datacenters dedicados a aplicações de inteligência artificial estruturas notoriamente intensivas em energia soluções solares de alto rendimento se tornam essenciais. A Apollo prevê grande aderência dessa tecnologia em projetos híbridos que combinem:
ilhas solares flutuantes com rastreamento,
baterias de alta capacidade,
e operação despachável, algo estratégico para centros computacionais 24/7.
Além disso, o modelo flutuante ajuda a preservar áreas terrestres, reduz evaporação de reservatórios e melhora o resfriamento natural dos módulos, ampliando sua performance.
Rumo a uma nova fase da energia flutuante no Brasil
O avanço das usinas solares flutuantes com tracker marca um salto para o setor fotovoltaico nacional, que passa a disputar espaço com soluções asiáticas e europeias de grande escala. Para especialistas, a tecnologia pode tornar o Brasil um dos principais polos mundiais em engenharia solar aplicada a reservatórios.
À medida que a eletricidade se torna insumo crítico para IA, armazenamento e digitalização, soluções que combinam geração elevada, segurança e baixo impacto ambiental tendem a conquistar protagonismo e as ilhas solares móveis podem ser um dos capítulos mais disruptivos dessa transformação.
Brasil testa nova geração de usinas solares flutuantes com rastreamento automático do Sol e promete salto de eficiência



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