Connecticut cria novo caminho para a energia solar pública e acessível
- EnergyChannel Brasil
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Por Redação EnergyChannel
Connecticut está testando um modelo que pode mudar a forma como escolas, municípios e comunidades de baixa renda acessam a energia solar nos Estados Unidos.

Em vez de atuar apenas como financiadora, a entidade pública Connecticut Green Bank assumiu um papel raro no setor: desenvolver, estruturar e até operar sistemas solares de pequeno porte, ajudando órgãos públicos a superar barreiras técnicas e financeiras que afastam investidores privados.
O resultado é um programa que começa a ganhar atenção nacional — justamente em um momento em que os custos de energia sobem e linhas federais de apoio à energia limpa sofrem cortes significativos.
Um novo tipo de “desenvolvedora pública” de energia
Batizado de Solar MAP+, o modelo coloca o banco verde no centro de todo o processo:
identifica oportunidades,
estrutura projetos,
negocia contratos,
reúne dezenas de instalações em um único pacote para ganhar escala
e, quando necessário, assume a própria propriedade dos sistemas.
Segundo dados disponibilizados pelo banco, já foram investidos US$ 145 milhões em instalações solares que somam quase 54 MW, com uma economia projetada de US$ 57 milhões para as instituições atendidas ao longo dos próximos anos.
O foco está justamente onde o mercado privado costuma evitar: projetos pequenos, renda baixa, escolas com restrições orçamentárias e municípios sem equipe técnica para gerenciar licitações complexas.
Por que esse modelo importa agora
O avanço do Solar MAP+ acontece enquanto programas federais voltados à transição energética enfrentam incertezas jurídicas e cortes incluindo disputas sobre US$ 20 bilhões em fundos que apoiariam projetos de energia limpa em regiões vulneráveis.
Para estados com orçamentos apertados e metas climáticas ambiciosas, o modelo de Connecticut surge como alternativa prática: gerar energia limpa, reduzir gastos públicos e reinvestir o retorno financeiro em novos projetos.
Escolas: onde o impacto já aparece com força
O estado, que é pequeno tanto em território quanto em população, hoje aparece entre os líderes nacionais em energia solar aplicada ao setor educacional. Relatórios recentes apontam que Connecticut está:
5º lugar nos EUA em capacidade solar instalada em escolas
2º lugar em percentual de escolas com energia solar (atrás apenas do Havaí)
Entre 2015 e 2023, o Connecticut Green Bank foi responsável por 27% de toda a energia solar instalada em escolas do estado muitas dessas instituições localizadas em áreas de menor renda.
Ao agrupar dezenas de escolas em uma única rodada de contratação, o programa reduz custos e atrai empresas que normalmente não participariam de projetos tão pequenos individualmente.
Mais do que painéis: eletrificação completa e microrredes
Especialistas ouvidos por organizações parceiras destacam que o modelo não só facilita a adoção de energia solar, como também pode abrir caminho para soluções complementares:
bombas de calor,
armazenamento por baterias,
eletrificação de edifícios públicos,
e até microrredes para aumentar a resiliência dos serviços essenciais.
Isso coloca Connecticut na vanguarda de uma tendência mais ampla: governos locais querendo autonomia energética em um cenário de preços instáveis e infraestrutura envelhecida.
Como nasceu o Solar MAP+
O programa surgiu quando o próprio estado percebeu que partes da administração pública não conseguiam avançar em energia solar mesmo com acesso a crédito barato.
Ao investigar o problema, o Connecticut Green Bank concluiu que o gargalo era estrutural:
falta de documentação padronizada, dificuldades de licitação, ausência de equipe técnica e desconhecimento sobre como montar contratos de geração distribuída.
A solução foi criar um “pacote completo”, uma espécie de one-stop shop para o setor público. Assim, cidades pequenas e distritos escolares passaram a ter acesso aos mesmos recursos e estruturas jurídicas que antes estavam disponíveis apenas para grandes projetos privados.
Pode virar tendência nacional?
O conceito de desenvolvimento público de projetos quando o Estado não apenas financia, mas articula todas as etapas de implantação está ganhando força em think tanks e grupos de estudo.
A abordagem de Connecticut cria disputas com parte do setor privado, mas também abre portas para novas parcerias, pois gera conjuntos de projetos robustos, que depois são instalados e operados por empresas privadas contratadas pelo próprio banco verde.
Em resumo:não se trata de substituir o mercado, mas de ativá-lo onde ele não chega sozinho.
O que o EnergyChannel observa
A experiência de Connecticut pode inspirar modelos no Brasil, especialmente para municípios médios e pequenos que enfrentam desafios semelhantes:
dificuldade técnica para estruturar licitações,
ausência de modelos padronizados de contratação de energia,
falta de escala para atrair grandes integradores solares,
e alto potencial para reduzir gastos públicos com eletricidade.
À medida que a energia distribuída e as microrredes ganham relevância, modelos híbridos público como articulador e privado como implementador podem acelerar a transição energética em setores essenciais como educação, saúde e habitação social.
Connecticut cria novo caminho para a energia solar pública e acessível








