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Energia Solar no Brasil: Protagonismo do Consumidor e Desafios do Sistema Elétrico

O avanço da geração distribuída transformou consumidores em prosumidores, mas também trouxe desafios econômicos e técnicos que exigem soluções modernas e equilibradas.


Energia Solar no Brasil: Protagonismo do Consumidor e Desafios do Sistema Elétrico
Energia Solar no Brasil: Protagonismo do Consumidor e Desafios do Sistema Elétrico

O Brasil vive um momento histórico na transição energética. Milhões de consumidores deixaram de ser apenas “cativos” das distribuidoras e passaram a produzir sua própria energia por meio de painéis solares e outras fontes renováveis. Um avanço que promove autonomia, economia e sustentabilidade, mas que também trouxe desafios para a operação e o equilíbrio do sistema elétrico nacional.


Desde 2012, com a criação das regras de micro e mini geração distribuída (MMGD) pela ANEEL, consumidores puderam gerar energia para consumo próprio e injetar excedentes na rede, recebendo créditos equivalentes. Esse mecanismo transformou telhados e pequenas empresas em micro usinas. O conceito é simples: durante o dia, quando a produção solar supera o consumo, o excedente vai para a rede; à noite ou em dias nublados, a energia é resgatada via créditos, funcionando como uma “poupança de eletricidade”.


O crescimento foi exponencial. De 1847 sistemas em 2015, espalhados por 543 cidades, o país passou para quase 4 milhões de instalações em 2025, abrangendo praticamente todos os municípios e atendendo 21 milhões de cidadãos. A capacidade total da geração distribuída já chega a 44,6 GW, o equivalente a três usinas de Itaipú, com projeção de atingir mais de quatro Itaipús até 2029.


É importante contextualizar: não se trata de um “privilégio de ricos”; programas como a tarifa social foram ampliados e há linhas de financiamento e modelos de assinatura que democratizam o acesso à geração distribuída para qualquer classe social.


Com esse avanço, apesar de todas as vantagens para o sistema, surgiram distorções que merecem atenção. O sistema elétrico brasileiro foi concebido para energia centralizada, e milhões de pontos de geração pulverizada alteram a dinâmica da oferta e da demanda em tempo real.


O avanço da geração distribuída trouxe impactos técnicos. Em horários de pico de sol, especialmente entre 10h e 14h, há excesso de energia injetada na rede. Diferente das grandes hidrelétricas e termelétricas, os painéis solares não podem ser controlados centralmente, exigindo ajustes conhecidos como curtailment, que podem reduzir temporariamente a geração de grandes usinas para manter o equilíbrio. Em agosto de 2025, por exemplo, a energia solar chegou a representar 40% da eletricidade no país ao meio-dia, exigindo cortes de até 17,5 GW de outras fontes.


Para lidar com esses desafios, governo, ANEEL e operadores do sistema estudam mecanismos modernos, como leilões de capacidade, megabaterias e usinas reversíveis que armazenam o excedente e liberam energia quando necessário. Soluções caras e demoradas, mas fundamentais para garantir que o crescimento da geração no país não comprometa a confiabilidade da rede.


O ponto central desta transformação é que a geração solar descentralizada representa protagonismo do consumidor e modernização do sistema elétrico, algo que os monopólios de energia tradicional não estavam acostumados a ver. A energia solar continua sendo um símbolo de inovação, sustentabilidade e empoderamento do cidadão. Agora, o desafio é equilibrar justiça econômica e estabilidade técnica, garantindo que todos possam se beneficiar de um sistema mais moderno, limpo e democrático.


A energia solar deu certo e deu certo demais. Cabe ao país avançar com inteligência para que esse sucesso não se transforme em distorção, mas sim em um modelo sustentável e inclusivo para todos.


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