Energia às Escuras: Como o Brasil Está Pagando Caro Pela Escolha Errada, e Ignorando Soluções Eficientes de Curtíssimo Prazo
- Daniel Lima

- 13 de jul.
- 2 min de leitura
Por Daniel Lima - ECOnomista
Num país com abundância de sol, vento e água, o sistema elétrico brasileiro vive um paradoxo, enquanto fontes renováveis são descartadas, termelétricas caras e poluentes são priorizadas, sem leilão, sem a devida concorrência, e com alto custo.

Foram aprovadas 12 usinas térmicas por seis geradoras, em um total de 39 ofertas, ao preço médio de R$ 1.186,45 por MWh — número que escandaliza frente às fontes solares e eólicas, que custam menos de R$ 250/MWh em leilões recentes.
Ainda mais preocupante é saber que o leilão originalmente previsto foi postergado pelo próprio governo, substituído por contratações diretas sem critérios claros. Essa postergação não apenas compromete a transparência, mas abriu caminho para decisões questionáveis que ignoram o planejamento técnico e priorizam fontes fósseis.
A escolha da Porto Pecém I, a única usina movida a carvão aprovada, reforça esse retrocesso. Mesmo com 14 ofertas de usinas a gás natural disponíveis, optou-se por uma das fontes mais poluentes — revelando descompromisso ambiental em plena véspera da Cop30.
Enquanto isso, usinas como Uruguaiana (R$ 2.140,22/MWh) e Norte Fluminense (R$ 2.236,28/MWh) foram contratadas, apesar de valores que superam em até 10 vezes as fontes limpas. E, ironicamente, o curtailment continua a afetar eólicas e solares, forçando usinas renováveis a parar de gerar energia por falta de infraestrutura, mesmo com condições climáticas favoráveis.
Mas há luz possível no fim desse túnel. Uma solução de curtíssimo prazo já existe e é viável, os sistemas de armazenamento por baterias. Amplamente utilizados em países com redes modernas, eles permitem:
- Armazenar o excesso de energia renovável e liberá-la nos momentos de pico;
- Evitar curtailment, garantindo maior uso da geração limpa;
- Reduzir drasticamente a dependência de térmicas emergenciais;
- Estabilizar a rede e proteger o consumidor de tarifas infladas.
Ignorar essa alternativa revela um sistema que opta conscientemente pelo atraso, sustentado por interesses que lucram com o desequilíbrio. O leilão, que deveria ser a ferramenta de justiça e competição, foi adiado — e no seu lugar, instalaram um jogo fechado que penaliza a sociedade.
A pergunta que não se cala é: por que pagar caro pela energia suja, quando a limpa é mais barata e já está disponível? A quem interessa esse caos que consome o que temos de mais valioso, nosso meio ambiente e o bolso da população?
Energia às Escuras: Como o Brasil Está Pagando Caro Pela Escolha Errada, e Ignorando Soluções Eficientes de Curtíssimo Prazo












Muito oportuna está crítica. A propósito a GD pode em curtíssimo prazo reduzir o problema. A GD2 está cada vez mais inviável, pelo custo do fio B subindo muito acima da inflação, sem falar na inversão de fluxo. Mas a GD1 pode resolver este problema, muitas usinas de GD1 precisam expandir sua geração mas, mais inviável ainda GD2 com baterias. Por isso acredito que se as usinas de GD1 pudessem expandir sua geração solar e injetar está energia no horário de ponta, sem fio B, e sem inversão de fluxo. O investimento se paga em curto prazo. Com a compensação 1 kWh pra 1,X (TE ponta/ TE fora de ponta) paga o alto CAPEX das baterias. Não precisa de lei,…
O lobby do gás e das petroleiras. As campanhas eleitorais estão chegando, e é preciso reabastecer o caixa, o dois, certamente. Enquanto isso, numa jogada articulada, culpam a GD pelos males recentes do setor elétrico.