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  • Ranking Solar 2025: EnergyChannel revela as marcas mais lembradas e reconhecidas do mercado fotovoltaico brasileiro

    Por EnergyChannel Brasil Ranking Solar 2025: EnergyChannel revela as marcas mais lembradas e reconhecidas do mercado fotovoltaico brasileiro Publicação especial – 1ª edição do Ranking Solar O setor solar brasileiro ganhou, em 2025, um novo termômetro de reputação e desempenho. O EnergyChannel Group  acaba de divulgar os resultados da 1ª edição do Ranking Solar , uma pesquisa anual que apura, diretamente com profissionais e empresas do mercado, quais fabricantes, distribuidores e soluções se destacaram ao longo do ano. A iniciativa nasceu com um propósito claro: valorizar as marcas que impulsionam a transição energética no Brasil  e dar voz aos especialistas que vivem o setor no dia a dia. Ao todo, mais de 29 fabricantes de inversores  e dezenas de empresas de todos os segmentos da cadeia solar  receberam votos reforçando a diversidade e maturidade do mercado nacional. A votação ocorreu entre agosto e 9 de dezembro de 2025 , com auditoria baseada no critério “1 CPF = 1 voto” , garantindo transparência e legitimidade ao processo. Os vencedores receberão o certificado digital  e o selo “Vencedor Ranking Solar 2025” , além de participarem de reportagens especiais, entrevistas e cases publicados pelo EnergyChannel. A partir de 2026, o Ranking Solar se torna oficialmente anual , sempre com divulgação dos resultados em 10 de dezembro . Inversores: Huawei lidera a preferência do mercado brasileiro A categoria de inversores um dos pilares tecnológicos da geração solar — foi dividida em três segmentos: Inversor On-grid , Inversor Híbrido  e Microinversor . 🏆 Categoria: Inversor (On-grid) 1º Huawei 2º Sungrow 3º GoodWe 4º Solis A Huawei confirma sua forte presença no território brasileiro, sendo eleita a marca de inversores mais reconhecida e confiável do setor. Sungrow, GoodWe e Solis completam o pódio, reforçando o equilíbrio competitivo do mercado. 🏆 Categoria: Inversor Híbrido 1º Huawei 2º GoodWe 3º SolaX | Deye (empate) 4º Solis O avanço das baterias no Brasil fortalece o segmento híbrido. A Huawei mantém a liderança, enquanto GoodWe se destaca entre integradores. SolaX e Deye dividiram o terceiro lugar, representando o crescimento acelerado de soluções híbridas no país. 🏆 Categoria: Microinversor 1º APSystems 2º Hoymiles 3º Enphase O mercado de microinversores cresce com foco em confiabilidade e facilidade de instalação. A APSystems liderou a percepção dos profissionais, seguida por Hoymiles e Enphase. Fabricantes mais lembrados do mercado brasileiro em 2025 Ao todo, 29 fabricantes  receberam votos nas categorias ligadas a inversores — um retrato fiel da amplitude do setor solar nacional. Entre os nomes citados estão: Huawei, Sungrow, GoodWe, SolarEdge, Solis, Growatt, APSystems, Fronius, PHB, Hoymiles, SMA, SolaX, Deye, FoxEss, Solinteg, Canadian, DAH Solar, NEP, Tsuness, Rockcore , entre outros. Módulos Fotovoltaicos: domínio asiático e liderança da Trina Empresas que receberam votos:  Trina, Jinko, Longi, Risen, JA Solar, Canadian, DAH Solar, Astroenergy, Sunpower, Weg, Honor, ZNShine, entre outras. 🏆 Melhores Fabricantes de Módulos Fotovoltaicos 1º Trina Solar 2º Longi e DAH Solar (empate) 3º Jinko Solar 4º Canadian Solar O resultado reforça o protagonismo dos grandes players globais no mercado brasileiro, com destaque para o crescimento da DAH Solar, que alcançou empate com a Longi. Melhores Estruturas para Sistemas Fotovoltaicos 🏆 Categoria: Estruturas 1º Solar Group 2º 2P Energy 3º Izi Estruturas 4º Alumifix Com 31 empresas votadas , a categoria demonstra forte competitividade e evolução tecnológica nas estruturas de fixação. Fabricantes de Baterias / BESS: o ano da Huawei e o avanço da Soluna e Moura 🏆 Categoria: Baterias / BESS 1º Huawei 2º Soluna e Moura (empate) 3º SolaX O crescimento do armazenamento reforça o papel da Huawei como integradora de soluções completas. Soluna e Moura dividem a segunda posição, mostrando a força de players globais e nacionais. Empresas votadas incluem: Huawei, Soluna, Weg, SolaX, BYD, Dyness, SecPower, CATL, GoodWe, Deye, Gotion, Trina Storage, Sungrow, Risen , entre outras. Usinas Solares: Soluções para Tracker 🏆 Categoria: Trackers Solares 1º Valmont 2º Nextracker 3º Trina Tracker A pesquisa destaca a forte presença de soluções internacionais no segmento de usinas de grande porte. Soluções de Limpeza 🏆 Categoria: Limpeza de Módulos 1º PV Clean 2º 2P Conectores e Cabos 🏆 Conectores 1º Stäubli 2º Amphenol 🏆 Cabos 1º Reicon Distribuidores de Equipamentos Fotovoltaicos Entre as 26 empresas votadas , o ranking reforça o peso estratégico da distribuição para todo o ecossistema solar brasileiro. 🏆 Categoria: Distribuidores 1º Ecori Energia Solar 2º Amara Nzero 3º Belenergy Melhor Assessor Financeiro / Advogado do Setor 🏆 Categoria Profissional Noale Energia – Frederico Boschin Reconhecido pela atuação em operações financeiras, regulatórias e estruturadas para o setor fotovoltaico. Um retrato fiel da percepção do mercado O Ranking Solar 2025  nasce como a maior pesquisa independente de percepção de marca do setor fotovoltaico brasileiro, consolidando-se como um instrumento anual de reconhecimento e análise de tendências. A pesquisa será expandida para 10 países em 2026 , permitindo comparações regionais e um panorama global das marcas mais relevantes da energia solar. Participe da próxima edição A votação da 2ª edição do Ranking Solar será aberta em 1º de janeiro de 2026 , permanecendo ativa até 9 de dezembro de 2026 . 💬 “Obrigado por participar do Ranking Solar 2025! Seu voto ajuda a valorizar quem faz a diferença no setor de energia solar.” Ranking Solar 2025: EnergyChannel revela as marcas mais lembradas e reconhecidas do mercado fotovoltaico brasileiro

  • Beyond Anthropocentrism: Thinkers Who Saw Earth as a Living Organism

    At a time when environmental crises intensify and humanity faces growing uncertainty about its own direction, it is worth revisiting the voices that dared to interpret our planet beyond utilitarian logic. Beyond Anthropocentrism: Thinkers Who Saw Earth as a Living Organism Among them is former NASA astronaut Ron Garan , who spent 178 days in space and completed 2,842 orbits around Earth. From that vantage point, he experienced the Overview Effect the profound shift in consciousness many astronauts describe when they see the planet suspended in darkness, fragile and interconnected. Garan often reminds us that Earth is wrapped in only a thin protective membrane that sustains all known life. Treating this home as disposable, he argues, is a dangerous illusion. Climate change, deforestation and social instability are not isolated problems but symptoms of our deeper rupture with planetary reality. In Brazil, environmental pioneer José Lutzenberger  began sounding this alarm long before it entered the mainstream. In 1971, he founded the Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural and built a legacy that went far beyond denouncing pollution. Lutzenberger challenged the philosophical basis of our relationship with nature. For him, the environment was not an inventory of raw materials but a living, interconnected system of which humanity is only one part. His critique of extractive industrial logic and his insistence on sustainability as an ethical imperative remains strikingly relevant today. Indigenous leader and contemporary thinker Ailton Krenak  deepens this conversation through the worldview of Brazil’s original peoples. Raised along the Rio Doce, he carries with him the struggle for forest protection and cultural survival. In his writings and speeches, Krenak exposes the illusion of limitless progress and the spiritual emptiness of modern life. The forest, he says, is not a backdrop or a resource it is a relative, a being. To destroy it is to amputate a part of our own humanity. His message is clear: there is no future without ecological balance and cultural plurality. British scientist James Lovelock  added yet another layer to this narrative through the Gaia hypothesis the idea that Earth functions like a self-regulating organism. His theory challenged the mechanistic framework of Western science and echoed ancient cosmologies that viewed the planet as an entity with its own intelligence. Lovelock demonstrated how oceans, atmosphere and living organisms form a dynamic system that maintains conditions suitable for life. Though debated in academic circles, his work sparked a profound shift: ecology is not simply resource management; it is coexistence with a complex planetary being. Several other influential voices enrich this collective understanding. Rachel Carson  ignited the modern environmental movement with Silent Spring , exposing the destructive use of pesticides. Chico Mendes , a rubber tapper and union leader from the Amazon, linked forest protection to human dignity and social justice. Wangari Maathai , founder of the Green Belt Movement in Kenya, showed that ecological restoration and community empowerment can grow hand in hand tree by tree. Despite their diverse backgrounds, these thinkers converge on essential points: Earth is fragile; life is interdependent; and the current model of relentless extraction is incompatible with long-term survival. Whether through Garan’s cosmic perspective, Lutzenberger’s ethical reflections, Krenak’s ancestral wisdom or Lovelock’s scientific insight, the message resonates: we are not Earth’s owners we belong to it. This column invites readers to pause and reconsider the collective trance we seem to inhabit, shaped by excess consumption and widespread indifference. Yet there is room for hope. History shows that new visions can redefine civilizations. If we allow these voices to guide us, we may recover what truly matters: caring for our common home, respecting its boundaries and celebrating the diversity of life. The future is not predetermined. It depends on our willingness to reconnect with Gaia and act together to build a more just and sustainable world. Renato Zimmermann is a sustainable business developer and an advocate for the global energy transition. Beyond Anthropocentrism: Thinkers Who Saw Earth as a Living Organism

  • Um olhar além do antropocentrismo: vozes que interpretaram a Terra como um organismo vivo

    Em tempos de crise ambiental e de perplexidade diante dos rumos da humanidade, é fundamental revisitar as vozes que enxergaram nosso planeta para além da lógica utilitarista e antropocêntrica. Um olhar além do antropocentrismo: vozes que interpretaram a Terra como um organismo vivo Entre elas, destaca-se Ron Garan, ex-astronauta da NASA, que passou 178 dias no espaço e completou 2.842 órbitas ao redor da Terra. Durante sua jornada, Garan experimentou o chamado Overview Effect, fenômeno descrito por astronautas que, ao observar o planeta do espaço, percebem sua fragilidade e interconexão. Para Garan, a Terra é um sistema único, protegido por uma camada finíssima que sustenta toda a vida. Ele alerta que vivemos uma mentira ao tratar nosso lar como recurso descartável, e que problemas como mudanças climáticas e desmatamento são sintomas de uma crise maior: a desconexão com a realidade planetária. No Brasil, José Lutzenberger foi pioneiro ao levantar a bandeira da consciência ambiental já em 1971, quando fundou a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Lutzenberger não se limitou a denunciar os impactos da poluição e da degradação; ele trouxe uma reflexão ética e filosófica sobre nossa relação com a Terra. Para ele, a natureza não é um estoque de recursos, mas um sistema vivo do qual fazemos parte. Suas práticas sustentáveis e sua crítica ao modelo industrial predatório permanecem atuais, lembrando-nos que a ecologia é também uma questão de valores e de civilização. Ailton Krenak, liderança indígena e pensador contemporâneo, amplia esse debate ao trazer a perspectiva dos povos originários. Nascido às margens do Rio Doce, Krenak carrega em sua trajetória a luta pela defesa das florestas e pela sobrevivência cultural de seu povo. Em suas obras e discursos, ele aponta as falhas da vida humana atual, marcada pela desconexão espiritual e pela ilusão de progresso infinito. Para Krenak, a floresta não é apenas um espaço físico, mas um ser vivo, um parente, cuja destruição significa também a mutilação da própria humanidade. Sua visão nos lembra que não há futuro possível sem a preservação dos ecossistemas e sem o reconhecimento da diversidade cultural que sustenta modos de vida mais harmônicos. James Lovelock, cientista britânico, trouxe ao mundo a teoria de Gaia, segundo a qual a Terra funciona como um organismo vivo capaz de autorregular-se. Essa interpretação revolucionária rompeu com a visão mecanicista da ciência e aproximou-se de tradições ancestrais que já viam o planeta como um ser dotado de inteligência própria. Lovelock mostrou que os sistemas atmosféricos, oceânicos e biológicos interagem de forma a manter condições favoráveis à vida. Sua teoria, embora contestada em alguns círculos acadêmicos, inspirou uma nova forma de pensar a ecologia: não como gestão de recursos, mas como convivência com um organismo do qual somos parte inseparável. Outros nomes também se somam a esse coro. Rachel Carson, com seu livro Silent Spring, denunciou os efeitos devastadores dos pesticidas e inaugurou a consciência ambiental moderna. Chico Mendes, seringueiro e líder amazônico, mostrou que a defesa da floresta é também defesa da dignidade humana. Wangari Maathai, no Quênia, plantou milhões de árvores e provou que a regeneração ambiental pode caminhar junto com justiça social. Apesar das diferenças de origem e trajetória, todos esses personagens convergem em pontos essenciais: a percepção de que a Terra é frágil e interdependente; a crítica ao modelo de exploração desenfreada; e a defesa de uma ética planetária que reconheça nossa responsabilidade coletiva. Seja pela experiência cósmica de Ron Garan, pela filosofia de Lutzenberger, pela sabedoria ancestral de Krenak ou pela teoria científica de Lovelock, o recado é claro: não somos donos da Terra, somos parte dela. Esta coluna busca trazer mais consciência para quem passou os olhos sobre estas linhas. Vivemos um momento de delírio coletivo, em que o consumo e a indiferença parecem ditar o ritmo da civilização. Mas há esperança. A história mostra que novas visões podem transformar sociedades. Se ouvirmos essas vozes e permitirmos que elas nos inspirem, poderemos despertar para o que realmente importa: cuidar da casa comum, respeitar seus limites e celebrar a vida em todas as suas formas. O futuro não está perdido; ele depende da nossa capacidade de reconectar-nos com Gaia e de reconhecer que, juntos, podemos atravessar este tempo de crise e construir um amanhã mais justo e sustentável. Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética Um olhar além do antropocentrismo: vozes que interpretaram a Terra como um organismo vivo

  • Soma inédita de características de nova bateria de íon-sódio faz avançar alternativas ao lítio

    Pesquisadores da UFPR utilizam técnica da nano arquitetura para criar dispositivos que, além de não terem o custo ambiental do lítio, são flexíveis, transparentes e funcionam em meio aquoso, aumentando possibilidade de aplicações Baterias fazem parte do nosso dia a dia. Elas estão presentes em celulares, carros, notebooks, marca-passos, câmeras digitais e assim por diante. É possível pensar em uma série de objetos eletrônicos de comunicação, informática, transporte e até saúde que são alimentados por baterias. As baterias convencionais são amplamente feitas de lítio, um metal que, embora tenha alta eficiência, traz uma série de riscos ambientais e de segurança. Por isso, pesquisadores vêm tentando desenvolver baterias de elementos alternativos ao lítio, como sódio e potássio, elementos mais fáceis e baratos de encontrar na natureza. Uma das pesquisas tem à frente Aldo José Gorgatti Zarbin, professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e que pesquisa o tema há 28 anos. O docente, junto com pesquisadores do laboratório que coordena, o Grupo de Química de Materiais (GQM), usou o sódio encontrado no sal de cozinha para criar um protótipo de bateria funcional que reúne, simultaneamente e de forma inédita para o setor, três características: ela é flexível, transparente e funciona em meio aquoso, eliminando riscos de explosões. Imagens do desenvolvimento da bateria aquosa de íons de sódio Ilustração esquemática que mostra o funcionamento da bateria de íon-sódio, com atividade eletroquímica entre os íons de sódio (Na) hidratados Ilustração: GQM/UFPR/Reprodução A bateria foi desenvolvida durante o mestrado, o doutorado e o projeto de pós-doutorado da pesquisadora Maria Karolina Ramos. Os atributos possibilitam uma série de aplicações inovadoras das baterias, desde eletrônicos vestíveis até janelas inteligentes. O estudo foi capa recente da revista  Sustainable Energy & Fuels , da Royal Society of Chemistry. A pesquisa ainda rendeu uma premiação ao professor no Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia, iniciativa do governo do Paraná que reconhece profissionais que contribuem para a produção científica e tecnológica do estado,  entregue no último dia 28 . A motivação para o desenvolvimento da bateria, além de suas diferentes aplicações, também foi pensando na descarbonização da matriz energética, em uma busca por fontes de energia renováveis. “ Há pouco tempo tivemos a COP 30 , falando sobre energia limpa e como é fundamental que a gente elimine combustível fóssil, para parar de emitir gás carbônico”, afirma o docente. “Uma das formas de você pegar energia é solar. Mas e à noite, quando não tem sol, como fica? Precisamos de bateria para armazenar essa energia, por isso elas são extremamente importantes no processo de descarbonização e de energia limpa”. Nanoarquitetura abre caminho para baterias de sódio O lítio é um metal leve, com grande capacidade de armazenamento de energia, encontrado principalmente em salmouras de lagos salgados ou em pegmatitos, que são rochas ígneas que contêm cristais e minerais ricos em elementos raros. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), Chile, Austrália, Argentina e China detêm juntos cerca de 95% das reservas de lítio atualmente conhecidas no mundo. No Brasil, o metal é encontrado em depósitos de pegmatitos, especialmente nas áreas do Médio Jequitinhonha, em Minas Gerais, e da Província Pegmatítica da Borborema, na região Nordeste. “Por muito tempo, as baterias de íons de lítio dominaram a eletrônica portátil graças à sua alta capacidade de armazenamento e longa duração. A importância delas foi reconhecida até com o Nobel de Química de 2019 [para John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino, considerando as baterias de lítio uma revolução da eletrônica portátil]”, conta Maria Ramos. “Mas nem tudo são flores: essas baterias usam solventes orgânicos tóxicos e inflamáveis, podem causar curto-circuito e até explodir. Além disso, dependem de reservas de lítio, que é um elemento químico escasso. São reservas concentradas em poucos países e causam um grande dano ambiental na sua extração, o que tornam essas baterias muito caras”. Além de provocar atritos geopolíticos, a mineração do lítio tem alto impacto ambiental, decorrente do uso intensivo de água e da ameaça de contaminação por metais pesados. Ao contrário do lítio, o sódio é mais abundante, barato e distribuído por todo o planeta. Sua obtenção é considerada de menor impacto ambiental especialmente quando extraído do mar, como ocorre com o sal de cozinha. Mas apenas substituir um elemento por outro não é uma tarefa simples. O desafio é encontrar materiais capazes de armazenar e liberar íons de sódio com a mesma eficiência do lítio, pois as diferenças de tamanho e química entre os elementos exige novos componentes para os polos da bateria. Para isso, o laboratório coordenado por Zarbin utilizou a técnica de nanoarquitetura para chegar em uma combinação de três materiais diferentes, em escala nanométrica, que pode ser usada como eletrodo na bateria de íon-sódio. “Toda a base do estudo é uma tecnologia de preparar materiais na forma de filme fino, que foi totalmente desenvolvida no meu laboratório. Isso significa conseguir preparar um material com uma espessura muito fina, muito fina mesmo, de poucos nanômetros de espessura. A gente consegue depositar esse material em cima de qualquer coisa, como um sólido, uma superfície, uma mesa, qualquer lugar. E é essa tecnologia que é o grande diferencial para conseguir as propriedades que a gente teve”. A composição obtida com a nanoarquitetura consta no artigo  “Nanoarchitected graphene/copper oxide nanoparticles/MoS2 ternary thin films as highly efficient electrodes for aqueous sodium-ion batteries” , publicada em 2023 por periódico da Royal Society of Chemistry. Baterias transparentes, flexíveis e aquosas possibilitam mais funcionalidades Os materiais utilizados para essa bateria de íons-sódio não apenas fazem a bateria funcionar. A composição assegurou que os pesquisadores fabricassem uma bateria com uma série de características combinadas que, até então, eram inéditas. Uma dessas propriedades é a flexibilidade, um atributo para baterias considerado uma das tecnologias mais emergentes e importantes na atualidade e que pode ter uma série de aplicações. Leves e maleáveis, as baterias de íon-sódio podem se curvar e dobrar sem perder a funcionalidade, mas vão além: elas representam a remoção de uma restrição tecnológica que limita o design de novos dispositivos. Atualmente, mesmo em dispositivos dobráveis (como certos smartphones), a bateria permanece como um componente rígido e volumoso. Entre as diversas aplicações, uma bateria flexível pode ser utilizada em eletrônicos vestíveis na área da saúde. “Você pode colocar um dispositivo na roupa, por exemplo, que pode acompanhar a taxa de glicose de alguém, ou o seu batimento cardíaco, um acompanhamento in-situ vinculado à roupa do sujeito. Ele vestiu e está lá. Então, para isso tem que ser dobrável, a nossa roupa é dobrável. Em qualquer tipo de dispositivo que você possa imaginar que seja vestível, a gente poderia usar essa tecnologia”, afirma Aldo Zarbin. O professor ainda cita o exemplo de uma bateria que pode ser dobrada e guardada dentro de uma carteira, ocupando espaço mínimo. Quando necessário, o usuário a desdobra para carregar um celular ou laptop; a flexibilidade das baterias também pode ser um atrativo para eletrônicos enroláveis ou papéis eletrônicos, tecnologia vista em dispositivos como leitores digitais (o Kindle, por exemplo). Outro atributo viabilizado pelas novas baterias de íon-sódio é a transparência, que foi possível pela tecnologia de filmes finos utilizada para arranjar os componentes da bateria de íon-sódio: o material é tão fino que a luz visível o atravessa. Essa característica é crucial para acoplar a bateria a sistemas que exigem passagem de luz, como células solares (componentes dos painéis solares, por exemplo) e janelas inteligentes, que ajustam automaticamente a entrada de luz e calor em ambientes internos. “Ao invés de fechar uma cortina de pano ou uma persiana, eu simplesmente vou escurecendo o vidro, deixando passar mais ou menos luz”, explica Zarbin. “Para isso eu preciso de uma bateria também, é um material chamado eletrocrômico, que muda de cor de acordo com o potencial que a gente aplica. Se a bateria for transparente, eu consigo acoplar numa única coisa”. Por fim, o grupo liderado por Aldo Zarbin também conseguiu encontrar uma bateria de íons de sódio que, além de ser flexível e transparente, também funciona em meio aquoso. Isso melhora um fator fundamental: a segurança. Apesar de serem eventos raros, as baterias de íon-lítio estão sujeitas a riscos de explosões e incêndios, que podem ser causadas por danos físicos, superaquecimento e envelhecimento. Isso porque o eletrólito das baterias de lítio é composto por um material inflamável e tóxico. Ao substituir esses materiais por água, elimina-se o risco de inflamabilidade. Assim, baterias aquosas oferecem alta tolerância o contra manuseio incorreto, tornando-se mais segura em relação a potenciais curtos-circuitos que levem a explosões. “Em síntese, a invenção apresenta um conjunto de vantagens técnicas e econômicas que a diferenciam significativamente das tecnologias existentes: é segura, ecológica, de baixo custo, leve, flexível e transparente, combinando sustentabilidade com alto desempenho”, afirma Maria Ramos. “Tais características conferem elevado potencial de aplicação prática e comercial, tanto em dispositivos eletrônicos avançados quanto em sistemas de armazenamento de energia de grande escala, consolidando-a como uma alternativa viável e sustentável às baterias de íons de lítio tradicionais”. Encaminhamento de patente é primeiro passo para que produto chegue ao mercado Além da publicação do artigo na  Sustainable Energy & Fuels , os pesquisadores do Grupo de Química de Materiais da UFPR solicitaram uma patente para a bateria de íon-sódio flexível, transparente e aquosa. São os primeiros passos visando uma futura chegada ao mercado. “Daqui para frente, vamos fazer com que aumente a capacidade, que saia da escala de laboratório”, conta Zarbin. “Agora há toda uma parte de engenharia, protótipos, otimização e construção, de como juntar cada uma dessas etapas para fazer uma performance melhor”. Segundo Maria Karolina Ramos, após o desenvolvimento de um protótipo maior, os pesquisadores terão um desafio mais ambicioso: integrar, em um único dispositivo acoplado, a geração e o armazenamento de energia. “A ideia é que a luz solar seja captada por uma célula fotovoltaica, convertida em eletricidade, e essa energia já seja armazenada diretamente na bateria conectada ao sistema”, afirma a pesquisadora. “Assim, o mesmo dispositivo faria as duas funções ao mesmo tempo. Essa integração traz várias vantagens, como economia de espaço, redução de peso e diminuição das perdas de energia que normalmente ocorrem quando ela precisa ser transferida entre equipamentos diferentes. Em resumo, é uma proposta simples no conceito, mas extremamente poderosa, e desafiadora, na prática”. Soma inédita de características de nova bateria de íon-sódio faz avançar alternativas ao lítio

  • O calor não precisa pesar no seu bolso: descubra como o Mercado Livre de Energia pode transformar sua conta de luz neste verão

    Com o aumento do consumo no verão, especialista informa que o Mercado Livre de Energia se apresenta como a solução para quem quer reduzir custos e ter mais controle sobre o gasto com eletricidade, sem surpresas nas contas de luz. O calor não precisa pesar no seu bolso: descubra como o Mercado Livre de Energia pode transformar sua conta de luz neste verão A chegada do verão e o consequente aumento do uso de ar-condicionado e ventiladores geram uma alta no consumo de energia elétrica e, com isso, as temidas surpresas nas contas de luz. Mas essa alta não precisa ser uma dor de cabeça. Segundo Tiago Fassbinder, gestor de consumidores da Spirit Energia, o Mercado Livre de Energia pode ser a chave para reduzir custos e garantir previsibilidade durante os meses de alta demanda. “O impacto do aumento de consumo no verão é inevitável, mas no Mercado Livre, o consumidor pode negociar contratos fixos, prever os custos e escolher a fonte de energia, tornando sua conta muito mais previsível, mesmo nos meses de maior demanda", explica Fassbinder. Como funciona o Mercado Livre de Energia? Ao migrar para o Mercado Livre de Energia, consumidores e empresas podem negociar diretamente com fornecedores, permitindo uma gestão personalizada e mais estratégica do consumo de energia. Essa opção é especialmente vantajosa para quem tem consumo variável, como é o caso dos meses mais quentes do ano, onde a energia se torna mais cara devido à alta demanda. No Mercado Livre, as tarifas fixas são negociadas em contratos de longo prazo, livre de oscilações sazonais e bandeiras tarifárias, como as bandeiras vermelha e amarela, que impactam diretamente quem está no mercado cativo. Setores mais impactados e como o Mercado Livre ajuda Setores como supermercados, shoppings, hotéis e restaurantes, que enfrentam grande consumo energético, especialmente devido ao uso intensivo de refrigeração, podem ter controle total sobre os custos, evitando o impacto das tarifas mais altas que vêm com o calor. Além disso, ao migrar para o Mercado Livre, esses negócios podem optar por fontes renováveis, como energia solar e eólica, o que não só reduz o custo, mas também fortalece a imagem ambiental da empresa. “Empresas que investem em uma gestão eficiente de energia durante o verão não apenas economizam, mas ganham competitividade no mercado. Além disso, o Mercado Livre oferece a consumidores residenciais a possibilidade de ter controle sobre seus custos, com contratos que evitam surpresas nas contas de luz”, completa Fassbinder. Benefícios do Mercado Livre  Economia de até 30% nas faturas de energia, dependendo do perfil de consumo. Contratos de longo prazo com tarifas fixas, que garantem previsibilidade nos custos. Eliminação de surpresas com bandeiras tarifárias que encarecem a conta de luz em períodos de alta demanda. Fonte de energia sustentável: possibilidade de contratar energia renovável, o que pode gerar economia adicional e fortalecer o compromisso com o meio ambiente. A chegada do calor não precisa ser sinônimo de contas de luz altas e imprevisíveis. O Mercado Livre de Energia é uma solução estratégica para quem deseja planejar e economizar durante os meses quentes, garantindo uma gestão inteligente de energia. “Para empresas e consumidores residenciais, a migração para o Mercado Livre significa não apenas redução de custos, mas também mais controle, segurança e sustentabilidade”, conclui Fassbinder.  O calor não precisa pesar no seu bolso: descubra como o Mercado Livre de Energia pode transformar sua conta de luz neste verão

  • Créditos de carbono: Cómo el nuevo ciclo regulatorio abre oportunidades estratégicas para las empresas en Brasil

    Por Laís Víctor – Especialista en energías renovables y Directora Ejecutiva de Alianzas El debate sobre carbono dejó de pertenecer exclusivamente al ámbito ambiental. Hoy forma parte do núcleo das decisões corporativas, influenciando inversiones, acceso a mercados internacionales, costo de capital y la competitividad de largo plazo. Créditos de carbono: Cómo el nuevo ciclo regulatorio abre oportunidades estratégicas para las empresas en Brasil En un escenario global marcado por exigencias crecientes de reducción de emisiones, el carbono se consolidó como un activo económico capaz de generar valor o, por el contrario, aumentar riesgos financieros y reputacionales. Brasil inicia una etapa decisiva con la creación del Sistema Brasileño de Comercio de Emisiones (SBCE) , establecido por la Ley Nº 15.042 de diciembre de 2024 . Lejos de ser una formalidad regulatoria, el SBCE marca una reorganización estructural que impacta directamente a los sectores productivos, a la dinámica de inversiones y al posicionamiento del país dentro de la nueva economía de bajas emisiones. Las empresas que aún tratan la gestión de carbono como un tema secundario corren un riesgo creciente: perder espacio en cadenas globales que ya exigen reducciones verificables, mensurables y auditables. Tras años analizando este mercado, todavía observo una confusión generalizada sobre su funcionamiento y, en especial, sobre cómo puede generar valor real para las empresas. Estamos frente a un punto de inflexión. Quienes comprendan esto ahora construirán una ventaja competitiva duradera. Del mercado voluntario al regulado: el cambio que redefine el sector en Brasil Durante más de una década, Brasil participó principalmente en el mercado voluntario de carbono , impulsado por estándares como Verra, Gold Standard y ART/TREES. El país se consolidó como un actor global relevante en proyectos basados en soluciones naturales, especialmente forestales y agropecuarios. Sin embargo, el mercado voluntario también enfrentó cuestionamientos crecientes a partir de 2023, especialmente relacionados con la integridad ambiental, la trazabilidad y la transparencia de algunos proyectos. Esto aceleró la necesidad de mayor gobernanza y reglas claras. En este contexto emerge el SBCE , un mecanismo que aproxima al país a modelos ya adoptados en la Unión Europea, California y Corea del Sur . Su diseño se sustenta en tres pilares: Monitoreo, reporte y verificación obligatorios (MRV)  para sectores intensivos en emisiones. Metas legales de reducción , cada vez más estrictas. Créditos de emisiones comercializables , permitiendo el cumplimiento mediante reducción propia o compra de créditos. Según el Banco Mundial, existen más de 70 instrumentos de fijación de precio al carbono  en funcionamiento en el mundo, cubriendo alrededor del 20% de las emisiones globales . Brasil se incorpora a este grupo con una ventaja significativa: un portafolio natural y tecnológico capaz de cumplir metas y, además, generar excedentes económicos. Entre sus principales activos destacan: una matriz eléctrica mayoritariamente renovable agricultura de bajo carbono extensas áreas de bosques tropicales un sector de biocombustibles consolidado iniciativas de eficiencia energética innovación creciente en tecnologías de captura y almacenamiento de carbono (CCUS) Todo esto posiciona al país no solo como participante, sino como potencial exportador de soluciones climáticas . La oportunidad que muchas empresas aún no ven Para muchas organizaciones, el mercado de carbono sigue siendo un tema regulatorio o un requisito ambiental. Pero esta percepción limita una oportunidad estratégica. Una gestión inteligente del carbono puede: reducir costos operativos mediante eficiencia generar nuevas fuentes de ingreso fortalecer la reputación ESG mejorar el acceso a financiamiento verde aumentar la competitividad en cadenas globales cada vez más exigentes Estudios de McKinsey muestran que las empresas con estrategias de descarbonización coherentes tienen más del doble de probabilidades de atraer inversión internacional . A la vez, el CDP indica que grandes multinacionales ya están excluyendo proveedores sin transparencia en emisiones . El carbono dejó de ser un diferencial. Pasó a ser un criterio básico de permanencia en el mercado . El rol del sector privado en la consolidación del nuevo mercado Ningún mercado regulado nace maduro. Su desarrollo depende, en gran medida, de la participación activa de las empresas. Independientemente del tamaño, las organizaciones necesitan seguir un camino progresivo: Elaborar un inventario de emisiones preciso y consistente. Identificar oportunidades internas de reducción. Estructurar proyectos elegibles para la generación de créditos. Integrar el carbono a la estrategia corporativa. La experiencia europea demuestra que quienes reaccionaron tarde terminaron sujetos a costos mayores y mayor dependencia de créditos externos. La Agencia Internacional de Energía refuerza este patrón: las empresas que inician la descarbonización antes de la obligatoriedad reducen significativamente sus costos futuros de cumplimiento . Anticiparse no es solo una decisión ambiental; es una ventaja económica . Del conocimiento a la acción: la urgencia del próximo paso Brasil ya muestra avances concretos. En 2025, se publicaron más de 1.300 inventarios corporativos de emisiones  a través del Programa Brasileño GHG Protocol, un crecimiento significativo respecto a años anteriores. Aun así, la mayoría de las empresas sigue en etapas iniciales, con metas declaradas pero baja integración operativa. Esta brecha entre intención y ejecución revela un espacio importante para el liderazgo empresarial. Las compañías que conviertan conocimiento técnico en acción efectiva se adelantarán en eficiencia, innovación y reputación. El carbono como nueva frontera de competitividad El mercado de carbono dejó de ser un tema exclusivamente ambiental. Es un factor económico estratégico capaz de redefinir sectores, acelerar transformaciones y redirigir inversiones. Con el SBCE, Brasil inicia un ciclo en el cual la eficiencia, la innovación y la reducción de emisiones se convierten en activos económicos . Las empresas que integren el carbono como parte central de su estrategia estarán mejor preparadas para la economía de bajas emisiones que ya está en marcha. Sobre la autora Laís Víctor  es especialista en energías renovables y directora ejecutiva de alianzas, con 15 años de experiencia en el sector energético. Su trayectoria incluye desarrollo de negocios, estructuración de asociaciones estratégicas y apoyo a la inversión en proyectos de transición energética, con enfoque en la creación de ecosistemas sostenibles y en la innovación para el mercado global de renovables. Créditos de carbono: Cómo el nuevo ciclo regulatorio abre oportunidades estratégicas para las empresas en Brasil

  • Carbon Credits in Brazil: How the New Regulatory Cycle Unlocks Strategic Opportunities for Companies

    By Laís Victor – Renewable Energy Specialist and Executive Director of Partnerships The carbon agenda is no longer a niche environmental debate. It has become a central pillar of corporate strategy, influencing investment decisions, access to international markets, capital costs and even a company’s long-term competitiveness. Carbon Credits in Brazil: How the New Regulatory Cycle Unlocks Strategic Opportunities for Companies In a global landscape defined by ambitious emission-reduction targets, carbon is now treated as an economic asset one capable of generating value or accelerating financial and reputational risks. Brazil has entered a new chapter with the creation of the Brazilian Emissions Trading System (SBCE) , established by Law No. 15,042 of December 2024 . More than a regulatory milestone, the SBCE represents a structural shift that directly impacts industrial sectors, investment flows and Brazil’s position in the global low-carbon economy. Companies that still treat carbon management as a secondary issue risk losing competitiveness in supply chains that increasingly demand measurable, auditable and transparently reported emission reductions. Having followed this market closely, I frequently see confusion about how carbon trading works and, above all, how it can be used to generate business value. What is happening now is a turning point one that will reward early movers with structural advantages over the next decade. From Voluntary to Regulated: The Shift Reshaping Brazil’s Carbon Market For more than ten years, Brazil participated predominantly in the voluntary carbon market , driven by standards such as Verra, Gold Standard and ART/TREES. The country became a global reference in nature-based solutions , especially forest- and agriculture-based projects. However, increased scrutiny since 2023 centered on transparency, permanence and environmental integrity revealed the need for stronger governance and standardized rules. This is where the SBCE  becomes transformative. Brazil now moves toward a regulated market aligned with frameworks already adopted in the European Union, California and South Korea . The system is built on three key pillars: Mandatory monitoring, reporting and verification (MRV)  for high-emission sectors. Legally binding emission-reduction targets , tightened progressively over time. Tradable emission credits , allowing companies to meet obligations through internal reductions or credit purchases. Globally, more than 70 carbon pricing mechanisms  are already in force, covering around 20% of total emissions , according to the World Bank. Brazil enters this group with an exceptional competitive advantage: a diversified and abundant portfolio of natural and technological assets. Among its key strengths: a predominantly renewable electricity matrix consolidated low-carbon agriculture vast tropical forests robust biofuels sector growing energy-efficiency initiatives emerging carbon capture and storage (CCUS) technologies Together, these assets position Brazil not just as a compliant participant—but as a potential global supplier of climate solutions . The Opportunity Most Companies Still Overlook Many organizations still interpret the carbon market as a compliance burden. But this view obscures its real value. A structured carbon strategy can: reduce operational costs through efficiency measures create new revenue streams strengthen ESG positioning improve access to green financing increase competitiveness in international supply chains Data from McKinsey shows that companies with solid decarbonization plans are twice as likely to attract foreign investment . Meanwhile, CDP reports that multinational corporations are already excluding suppliers without transparent emissions reporting . In other words, carbon performance is no longer a differentiator it is a requirement for staying in business . How Companies Can Help Shape This Emerging Market No regulated market is born mature. Its quality depends heavily on private-sector engagement. Regardless of size or industry, companies should follow a strategic sequence: Develop a robust emissions inventory. Identify internal reduction opportunities. Structure projects capable of generating credits. Integrate carbon planning into core business strategy. Experience in the EU shows that companies that delayed action became overdependent on buying credits, increasing compliance costs and reducing operational flexibility. Studies by the International Energy Agency reinforce this trend: early decarbonizers face significantly lower long-term compliance costs . Anticipation, therefore, is not only environmentally sound it is economically smart. From Knowledge to Execution: The Urgency of the Next Step Brazil has already made progress. In 2025, more than 1,300 corporate emissions inventories  were published through the Brazilian GHG Protocol Program a record number. Still, most organizations remain in early stages, with declared targets but limited operational integration. This gap between intention and action reveals a crucial window of opportunity. Companies capable of transforming technical knowledge into practical implementation will position themselves ahead of competitors in efficiency, innovation and reputation. Carbon as the New Frontier of Business Competitiveness The carbon market has evolved beyond environmental discourse. It is now a strategic economic variable capable of reshaping sectors, accelerating technological transitions and redirecting capital flows. With the SBCE, Brazil begins a new cycle in which efficiency, innovation and emission reduction are transformed into economic assets. Companies that treat carbon not as an obligation, but as part of their long-term strategy, will be best positioned for the emerging low-carbon economy. About the Author Laís Victor  is a renewable-energy specialist and Executive Director of Partnerships, with 15 years of experience across the energy sector. Her work includes business development, strategic alliances and investment support for energy-transition projects, focusing on building sustainable ecosystems and advancing global renewable-energy innovation. If you would like, I can also provide: Carbon Credits in Brazil: How the New Regulatory Cycle Unlocks Strategic Opportunities for Companies

  • Créditos de carbono: Como o novo ciclo regulatório abre oportunidades estratégicas para empresas no Brasil

    Por Laís Victor  – Especialista em energias renováveis e Diretora Executiva de Parcerias  O mercado de carbono deixou de ser uma discussão restrita ao campo ambiental para ocupar o centro das decisões corporativas. Créditos de carbono: Como o novo ciclo regulatório abre oportunidades estratégicas para empresas no Brasil Em um cenário global marcado por exigências crescentes de redução de emissões, o carbono passou a funcionar como um verdadeiro ativo econômico, capaz de afetar investimentos, acesso a mercados, custo de capital e reputação empresarial. No Brasil, entramos oficialmente em um novo ciclo com a instituição do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) , por meio da Lei nº 15.042, de dezembro de 2024 , que estabelece as bases para um mercado regulado de carbono no país. Trata-se menos de uma formalidade regulatória e mais de uma reorganização estrutural, com impactos diretos sobre setores produtivos, decisões de investimento e a posição competitiva das empresas brasileiras no comércio internacional. Empresas que tratam o carbono como um tema acessório não apenas deixam de capturar valor, correm o risco de perder espaço em cadeias globais de fornecimento que já exigem comprovação de emissões reduzidas, mensuráveis e auditáveis. Tenho acompanhado de perto como ainda existe confusão sobre o funcionamento do mercado de carbono e, principalmente, sobre sua aplicação prática como instrumento de geração de valor. O que está posto é um divisor de águas. Quem entender isso agora construirá vantagem estrutural nos próximos anos. O que está mudando no Brasil: do voluntário ao regulado Durante mais de uma década, o Brasil atuou majoritariamente no mercado voluntário de carbono , dominado por padrões como Verra, Gold Standard e ART/TREES, com forte presença de projetos florestais e agropecuários. Esse mercado teve relevância global e posicionou o país como um dos principais ofertantes de créditos baseados em soluções naturais. Ao mesmo tempo, o mercado voluntário também enfrentou, sobretudo a partir de 2023, questionamentos importantes relacionados à integridade ambiental de determinados projetos, o que evidenciou a necessidade de maior governança, rastreabilidade e padronização. É nesse contexto que o SBCE  surge como elemento transformador. O sistema estabelece a transição para um mercado regulado , aproximando o Brasil de modelos já adotados na União Europeia, Califórnia e Coreia do Sul. Seu desenho se apoia em três pilares fundamentais: Setores sujeitos à obrigatoriedade de monitoramento, reporte e verificação (MRV) de emissões , com foco inicial em atividades intensivas em carbono. Metas legais de redução , progressivamente mais restritivas ao longo do tempo. Créditos de emissão transacionáveis , permitindo que empresas cumpram suas metas tanto por redução própria quanto por aquisição de créditos. Segundo o Banco Mundial, mais de 70 iniciativas de precificação de carbono já estão em vigor no mundo, cobrindo cerca de um quinto das emissões globais. Ao ingressar nesse grupo, o Brasil o faz com uma vantagem estratégica relevante: um portfólio natural e tecnológico capaz não apenas de atender obrigações, mas de gerar excedentes econômicos. Entre os principais ativos brasileiros estão: uma matriz elétrica majoritariamente renovável; agricultura de baixo carbono; florestas tropicais; biocombustíveis consolidados; eficiência energética; inovação em captura e armazenamento de carbono (CCUS). Esse conjunto posiciona o país como potencial exportador de soluções climáticas, e não apenas como tomador de obrigações. A oportunidade que muitas empresas ainda não enxergam Muitas empresas ainda enxergam o mercado de carbono apenas como uma obrigação regulatória ou um tema ambiental. Mas essa é uma visão limitada. Os créditos de carbono representam uma oportunidade real de fortalecer o negócio: reduzem custos ao estimular eficiência, criam fontes de receita, reforçam a reputação ESG, ampliam o acesso a financiamentos verdes e aumentam a competitividade em cadeias globais cada vez mais exigentes. Dados da McKinsey mostram que organizações com estratégias consistentes de descarbonização têm mais que o dobro de chances de atrair investimentos internacionais. E, segundo o CDP, grandes multinacionais já começam a excluir fornecedores que não demonstram transparência ambiental, um sinal claro de que o carbono deixou de ser diferencial e passou a ser critério de permanência no mercado. A questão, portanto, não é mais apenas “ser sustentável”, mas garantir competitividade em um cenário que está mudando rapidamente. O papel das empresas na construção desse novo mercado Mercados regulados não surgem plenamente maduros. Eles se constroem com participação ativa do setor privado. Independentemente do porte, as empresas precisam entender uma lógica simples e progressiva: Inventariar emissões  de forma consistente é o primeiro passo. Identificar oportunidades de redução interna  é o segundo. Estruturar projetos elegíveis à geração de créditos  é o terceiro. Integrar carbono à estratégia corporativa  é o estágio final. O SBCE não aguardará o grau de maturidade individual de cada empresa. A experiência europeia mostra que organizações que reagiram tardiamente acabaram arcando com custos mais elevados, tornando-se dependentes da compra de créditos de terceiros. Estudos da Agência Internacional de Energia indicam que empresas que iniciam a descarbonização antes da obrigatoriedade reduzem significativamente seus custos de conformidade ao longo do tempo. Antecipação, nesse contexto, é vantagem econômica, não apenas ambiental. A urgência de transformar conhecimento em prática O Brasil já apresenta avanços importantes. Em 2025, mais de 1.300 inventários corporativos de emissões foram publicados no Programa Brasileiro GHG Protocol, um crescimento relevante em relação aos anos anteriores. Ainda assim, a maioria das empresas permanece nos estágios iniciais, com metas declaradas, mas baixa integração operacional e estratégica. Essa lacuna entre intenção e execução revela um espaço significativo para liderança empresarial. As empresas que transformarem conhecimento técnico em prática concreta sairão à frente em eficiência, reputação e acesso a oportunidades. A nova fronteira da competitividade passa pelo carbono O mercado de carbono não é mais uma pauta ambiental. É uma variável estratégica que redefine competitividade, reposiciona setores e rearranja fluxos de capital. A regulamentação brasileira inaugura um ciclo em que eficiência, inovação e redução de emissões deixam de ser custo e passam a ser ativos econômicos. Quem tratar o carbono como parte da estratégia, e não como obrigação, estará mais bem preparado para a nova economia que já está em consolidação. Sobre a autora   Laís Víctor é especialista em energias renováveis e diretora executiva de parcerias, com 15 anos de atuação no setor de energia. Sua atuação inclui o desenvolvimento de negócios, estruturação de alianças estratégicas e apoio à atração de investimentos para projetos de transição energética, com foco na construção de ecossistemas sustentáveis e inovação no mercado global de renováveis.  Créditos de carbono: Como o novo ciclo regulatório abre oportunidades estratégicas para empresas no Brasil

  • TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel

    A modernização da rede de distribuição de energia no Brasil deixou de ser uma pauta técnica para se tornar uma questão de sobrevivência social e econômica. TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel A subterraneização em áreas críticas, a instalação de sistemas de self-healing (auto-recuperação) e a adoção de smart grids são medidas que poderiam mitigar os transtornos que hoje se repetem com frequência. No entanto, tais investimentos exigem capital e, sobretudo, aprovação tarifária por parte da Aneel, que ainda atua de forma tímida diante da urgência climática. Em dezembro, milhões de residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem energia por dias, sem previsão de retorno. O prejuízo foi incalculável: alimentos perdidos, hospitais em risco, comércio paralisado, escolas sem aulas e famílias vulneráveis. A falta de energia não é apenas um desconforto; é um colapso que atinge diretamente a economia e a dignidade da sociedade brasileira. Em dezembro, milhões de residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem energia Smart grids, microrredes e resiliência As redes inteligentes ( smart grids ) representam uma mudança de paradigma. Elas permitem monitoramento em tempo real, automação e gestão eficiente, reduzindo perdas e aumentando a confiabilidade. Associadas a recursos energéticos distribuídos como painéis solares, baterias e pequenas turbinas, criam condições para que consumidores se tornem também produtores. As microrredes, por sua vez, são sistemas locais capazes de operar de forma autônoma em momentos de crise. Quando eventos climáticos derrubam linhas de distribuição, uma microrrede pode continuar fornecendo energia para hospitais, escolas ou comunidades inteiras. Essa resiliência é fundamental em um cenário em que cientistas já alertavam há décadas: o aquecimento global traria consequências severas. Hoje, vemos enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e tempestades cada vez mais intensas. O risco dos eventos extremos Até agora, os eventos extremos não atingiram de forma significativa as grandes linhas de transmissão, subestações e usinas geradoras. Mas é apenas uma questão de tempo. Quando a fúria da natureza alcançar esses pontos nevrálgicos, o colapso será inevitável. A sociedade precisa escolher: manter um sistema centralizado e vulnerável ou investir em um modelo distribuído e resiliente. Produzir e armazenar a própria energia é, cada vez mais, a solução mais plausível. Conversa com um técnico de concessionária Em conversa com um técnico de uma concessionária, que preferiu não se identificar, ouvi uma observação reveladora: modernizar a rede elétrica com sensores e dispositivos inteligentes é vantajoso para a própria empresa, pois evita gastos com equipes de rua para resolver problemas que poderiam ser solucionados remotamente. Esse comentário mostra que a modernização não é apenas uma demanda social, mas também uma oportunidade de eficiência operacional. O problema é que falta vontade política e regulatória, além de resistência de quem lucra com a situação atual. TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel O papel da Aneel e os limites da regulação A Aneel precisará revisar os parâmetros impostos às concessionárias. Hoje, a modernização está restrita, em grande parte, à troca de medidores por equipamentos digitais que permitem ao consumidor migrar para outro mercado. Essa lógica não visa a resiliência ou a segurança energética dos cidadãos, mas sim abrir espaço para comercializadoras venderem condições meramente comerciais. É uma modernização voltada ao mercado, não à sociedade. Se a agência reguladora não assumir o protagonismo de exigir investimentos em subterraneização, automação e redes inteligentes, o Brasil continuará preso a um modelo obsoleto. A regulação precisa ser redesenhada para priorizar segurança energética, resiliência e sustentabilidade, e não apenas competição comercial. Tecnologias já existem O mais frustrante é que as tecnologias já estão disponíveis. A geração distribuída, que consiste em produzir energia próxima ao local de consumo, deveria ser incentivada de forma massiva. Painéis solares em telhados, baterias comunitárias e pequenas centrais hidrelétricas poderiam reduzir a dependência de grandes sistemas e aumentar a autonomia das comunidades. Mas, novamente, esbarramos em barreiras regulatórias e interesses econômicos. Reflexão final: duas vias de um mesmo caminho Mitigar os eventos climáticos e realizar a transição energética são duas vias de um mesmo caminho. Não basta apenas reduzir emissões de carbono; é preciso construir sistemas capazes de resistir às consequências já inevitáveis do aquecimento global. A modernização da rede elétrica brasileira é, portanto, um imperativo ético, econômico e civilizatório. Se não enfrentarmos a dependência da Aneel e a inércia das concessionárias, continuaremos a assistir a apagões que paralisam cidades inteiras. A escolha está diante de nós: ou seguimos presos a um modelo vulnerável, ou abraçamos a oportunidade de construir um sistema elétrico resiliente, inteligente e distribuído. O futuro da energia no Brasil não é apenas uma questão técnica é uma questão de sobrevivência. TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel

  • Shell Brasil, Petrobras e CCARBON/USP lançam o Carbon Countdown, maior banco de dados de estoques de carbono já realizado no país

    Iniciativa pioneira de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) cria base científica para impulsionar o mercado de carbono em todos os biomas brasileiros Shell Brasil, Petrobras e CCARBON/USP lançam o Carbon Countdown, maior banco de dados de estoques de carbono já realizado no país Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2025 - A Shell Brasil, a Petrobras e o CCARBON/USP lançaram, nesta sexta-feira (12/12), o Carbon Countdown, o maior projeto já realizado para medir, de forma padronizada e em escala nacional, os estoques de carbono acima e abaixo do solo em todos os biomas do país, incluindo tanto áreas agrícolas como ecossistemas nativos. Ao interesse mútuo das empresas na trajetória de descarbonização, soma-se a experiência científica da equipe do CCARBON, lotado na Esalq/USP, executora do projeto, e de universidades e centros de pesquisa que participam da iniciativa em todas as regiões do Brasil. O projeto contará com investimento de cerca de R$ 100 milhões, provenientes da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) prevista nos contratos de exploração e produção de Óleo e Gás, recurso que tem a aplicação regulada e fiscalizada pela ANP. Projeto de P&D, o Carbon Countdown estabelece uma linha de base científica inédita para estoques de carbono, construída a partir de metodologias reconhecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo científico da ONU. Todos os dados serão abertos e disponibilizados publicamente, permitindo aplicações diversas, como conservação, modelagem climática e planejamento territorial. Serão cinco anos de muito trabalho integrado e produção de conhecimento. “O projeto Carbon Countdown nos dá as ferramentas para criar uma base sólida e confiável de dados sobre os estoques naturais de carbono. Essas informações são essenciais para fortalecer projetos de créditos de carbono, iniciativas de restauração e ações de uso do solo, além de consolidar o papel da ciência brasileira nesse mercado emergente”, afirma Olivier Wambersie, Diretor de Tecnologia da Shell Brasil. “As grandes entregas do Carbon Countdown são a geração de um banco de dados geoespacial público, com base em coletas representativas de amostras ambientais, implantação de infraestrutura de pesquisa, e a tropicalização confiável das metodologias internacionais à realidade dos nossos biomas, cultivos agrícolas e tipos de solo. Esse trabalho se torna ainda mais robusto com a participação de diversas universidades que agregam expertise e conhecimento local a essa iniciativa”, afirma Lílian Melo, Gerente Executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras - CENPES.   “Esta é uma iniciativa inédita que coloca o Brasil em posição de destaque ao gerar, pela primeira vez, valores de referência nacionais sobre estoques de carbono no solo e na vegetação. Esses dados permitirão aprimorar metodologias de quantificação, reduzir incertezas e aumentar a competitividade de projetos de restauração e produção sustentável. O rigor técnico-científico aplicado no desenvolvimento do inventário, aliado ao conhecimento das universidades e centros de pesquisa, cria uma base sólida para futuras inovações e posiciona o país na vanguarda do setor, com potencial de referência para outras regiões do mundo”, afirma o Prof. Dr. Maurício Roberto Cherubin, coordenador científico do projeto, pesquisador do CCARBON/USP e ESALQ/USP. O levantamento vai abranger 6.500 áreas demarcadas, com mais de 250 mil amostras de solo e um número ainda maior de amostras de vegetação e outras 400 mil amostras de atributos complementares, caracterizando o maior inventário do tipo já realizado. O projeto implementa uma rede nacional de pesquisa, com polos regionais nos seis biomas brasileiros – Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Cada núcleo envolve pesquisadores, equipes de campo e infraestrutura laboratorial local, garantindo metodologias unificadas, protocolos técnicos de Segurança, Meio Ambiente e Saúde; padrões éticos e consistência dos dados. Ao produzir uma base de dados realista e cientificamente validada, o Carbon Countdown fornece segurança para investidores e formuladores de políticas, apoia a transição para uma economia de baixo carbono e amplia o protagonismo do Brasil no mercado global de créditos de carbono, por meio de Soluções Baseadas na Natureza como projetos agroflorestais, de conservação e reflorestamento.  Capacitação científica O Carbon Countdown também investe na formação de equipes, no fortalecimento de laboratórios distribuídos pelo país e na criação de uma base integrada para armazenamento, análise e compartilhamento dos resultados, com liderança científica do CCARBON/USP – centro de excelência em ciências agrárias, ambientais, biológicas e sociais. A iniciativa contribui diretamente para a capacitação de profissionais e para o avanço da pesquisa ambiental no Brasil. ** Sobre a Shell  Brasil Há 112 anos no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.   Sobre o CCARBON/USP O Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), sediado na USP/ESALQ e vinculado à Reitoria da Universidade de São Paulo, foi aprovado no Programa de Centros de Pesquisa, Difusão e Inovação (CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP). A missão do CCARBON é desenvolver soluções e estratégias inovadoras em soluções climáticas naturais, abrangendo tanto agricultura tropical sustentável como manejo de ecossistemas nativos, contribuindo para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas e melhorar os padrões e condições de vida. Nossa visão é ser reconhecido como um centro de classe mundial, líder em agricultura tropical de baixo carbono e qualificação de recursos humanos por meio de atividades de pesquisa, inovação e divulgação. Para saber mais sobre o CCARBON/USP acesse:  www.ccarbon.usp.br Shell Brasil, Petrobras e CCARBON/USP lançam o Carbon Countdown, maior banco de dados de estoques de carbono já realizado no país

  • Por que Projetos de Bioenergia e WTE Promissores Falham? A Resposta Está no PMBOK 8ª Edição

    Gestão de Projetos: O Elo Perdido na Transição Energética Brasileira Por que Projetos de Bioenergia e WTE Promissores Falham? A Resposta Está no PMBOK 8ª Edição São Paulo, 12 de Dezembro de 2025 – A transição energética no Brasil exige mais do que tecnologia inovadora e capital; ela clama por método, disciplina e responsabilidade na execução de projetos sustentáveis. É o que aponta uma análise aprofundada sobre a gestão de empreendimentos de Geração de Energia (Power Plant) e Unidades de Recuperação de Energia (UREs), que revela um ponto de falha  surpreendente: a causa mais comum para o insucesso de projetos promissores não é técnica nem econômica , mas sim gerencial . O estudo, conduzido pelo Eng. Sebastião Carlos Martins, CEO da DBEST PLAN, e detalhado em seu compêndio sobre o tema, argumenta que falhas de planejamento , estouros de CAPEX, desvios de escopo e a falta de integração entre equipes são os principais vetores de fracasso em biorrefinarias e plantas Waste-to-Energy (WTE). Mesmo com indicadores econômico-financeiros sólidos (TIR, VPL, payback), a ausência de um modelo de gestão robusto e disciplinado inviabiliza o empreendimento . O PMBOK 8ª Edição como Pilar de Viabilidade A solução, segundo o especialista, reside na aplicação rigorosa das técnicas estabelecidas pelo PMBOK (Project Management Body of Knowledge), em sua 8ª Edição. O novo framework do Project Management Institute (PMI) é apresentado como o pilar indispensável para a viabilidade técnica, econômica e operacional de projetos industriais complexos no setor de energia. A grande inovação da 8ª Edição é a substituição do modelo tradicional baseado em Áreas de Conhecimento por um conjunto de Sete Domínios de Desempenho e Seis Princípios   Fundamentais . Essa mudança confere à gestão de projetos maior dinamismo, adaptabilidade e foco na criação de valor, qualidades essenciais para a implementação de unidades de WTE, plantas de biocombustíveis avançados (etanol 2G, SAF, diesel renovável) e hidrogênio verde. Domínio de Desempenho Foco Estratégico em Projetos de Energia Governança Alinhamento com políticas públicas e objetivos socioambientais; transparência e ética. Escopo Definição clara do que será entregue, com foco em valor real e controle de interfaces complexas (ex: gaseificação, pirólise). Cronograma Abordagem adaptativa e sensível a riscos; uso de CPM e EVM para gerenciar atrasos em licenças e entrega de equipamentos. Finanças Controle rigoroso de custos (CAPEX/OPEX), fluxo de caixa e geração de valor mensurável. Partes Interessadas Gestão contínua de expectativas de investidores, comunidades, órgãos ambientais e municípios. Recursos Mobilização e gestão eficiente de equipes, materiais e infraestrutura. Riscos Identificação, análise e resposta proativa a incertezas, integrando-se diretamente ao domínio de Finanças. Risco e Incerteza : O Papel da Simulação de Monte Carlo Um dos pontos mais críticos para o setor é a gestão da incerteza financeira. O estudo destaca que o domínio de Finanças está intrinsecamente ligado ao domínio de Riscos . "A segurança dos investimentos em biocombustíveis, energia limpa e Unidades de Recuperação de Energia depende da compreensão das incertezas e de sua transformação em decisões sólidas e sustentáveis." Neste contexto, a Simulação de Monte Carlo é apontada como uma ferramenta indispensável. Amplamente utilizada pela DBEST PLAN, ela permite quantificar a probabilidade de impacto de fatores de risco (como variação no poder calorífico do resíduo, custos de construção ou volatilidade de preços de SAF) sobre indicadores como TIR e VPL. Essa análise probabilística é fundamental para o desenvolvimento de uma Matriz de Riscos estruturada, garantindo que o projeto não avance sem uma compreensão profunda de suas vulnerabilidades. Governança e Liderança Colaborativa Além da gestão técnica, o PMBOK 8ª Edição enfatiza a importância da Governança e do Princípio da Liderança Colaborativa. Em projetos que envolvem múltiplas partes interessadas desde o setor público até comunidades locais e grandes investidores —, uma governança forte evita conflitos, garante a accountability e impede mudanças de escopo não planejadas. O Eng. Sebastião Martins  conclui que o objetivo final é demonstrar que um projeto só é verdadeiramente viável  quando o estudo econômico-financeiro é acompanhado por um modelo de gestão maduro, integrado e orientado a riscos . Somente assim, plantas de WTE, biorrefinarias e projetos de economia circular deixarão de ser boas ideias no papel para se tornarem empreendimento lucrativos, sustentáveis e executáveis. A aplicação dos Sete Domínios de Desempenho  e dos Seis Princípios  do PMBOK 8ª Edição é, portanto, a chave para que o Brasil consolide sua posição como líder global em energias renováveis, transformando a disciplina gerencial em um diferencial competitivo estratégico. O presente artigo está integralmente alinhado às melhores práticas de gerenciamento de projetos preconizadas pelo PMBOK® Guide , especialmente no que se refere à estruturação das fases do projeto , à definição clara de escopo, à organização das entregas e ao suporte técnico à tomada de decisão . Contudo, vai além das recomendações normativas ao aprofundar, de forma consistente, os processos de análise de riscos  e de proposição de medidas mitigadoras aplicáveis a projetos de Unidades de Recuperação Energética (URE). Enquanto o PMBOK estabelece  a identificação, a análise qualitativa e a análise quantitativa de riscos como boas práticas recomendadas, os estudos  desenvolvidos pelo Engenheiro Sebastião Martins, por meio da DBEST PLAN , incorporam de maneira sistemática a Simulação de Monte Carlo  como instrumento central de avaliação econômico-financeira e de risco. Essa abordagem permite tratar indicadores como TIR, VPL e payback não como valores determinísticos, mas como variáveis aleatórias, sujeitas a incertezas técnicas, operacionais, regulatórias e de mercado. O uso da Simulação de Monte Carlo  possibilita a construção de uma visão probabilística  dos resultados do projeto, identificando faixas de ocorrência, níveis de confiança e a real influência das variáveis críticas sobre a atratividade do empreendimento. A partir dessa modelagem, tornam-se possíveis recomendações objetivas  e tecnicamente fundamentadas quanto à necessidade de ajustes de CAPEX, melhorias de produtividade, condições mínimas de preço, estruturação de garantias contratuais e adoção de mecanismos de mitigação de riscos . Essa metodologia confere maior robustez às decisões  de investidores, financiadores e entes públicos, ao reduzir o grau de subjetividade  inerente a análises tradicionais e ao oferecer uma leitura clara do equilíbrio entre risco e retorno . Ao antecipar cenários adversos e delimitar condições de viabilidade ainda nas fases iniciais do projeto, os estudos conduzidos pelo autor contribuem para decisões mais prudentes , alinhadas ao perfil de risco dos agentes envolvidos. Dessa forma, este artigo demonstra   que  o gerenciamento de projetos de URE, quando associado a ferramentas probabilísticas avançadas, não apenas atende às diretrizes do PMBOK, mas as supera , estabelecendo um padrão mais elevado de governança, transparência e responsabilidade na condução de empreendimentos estratégicos para a transição energética. Para uma visualização, rápida, do alinhamento entre as proposições da DBEST PLAN e o requerido pelo PMBOK, apresentamos a tabela 1, abaixo. Tabela 1 - Quadro Comparativo – PMBOK × DBEST PLAN Fase de Iniciação do Projeto segundo o PMBOK Ênfase na Análise de Viabilidade e a Abordagem da DBEST PLAN Segundo o PMBOK® Guide  (7ª e 8ª edições), a Fase de Iniciação  tem como finalidade autorizar formalmente o projeto e estabelecer bases sólidas para a tomada de decisão, respondendo de forma objetiva à questão fundamental: se o projeto deve ou não ser implementado . Para empreendimentos industriais de grande porte como plantas de etanol de segunda geração (2G), SAF, biodiesel ou Unidades de Recuperação Energética (URE) essa decisão depende, essencialmente, da qualidade e da profundidade da Análise de Viabilidade do Projeto . O PMBOK estabelece que a Iniciação  não deve se limitar a uma visão conceitual ou meramente descritiva do empreendimento. Ao contrário, recomenda que já nesta fase   sejam consolidadas informações  técnicas, econômicas, financeiras, regulatórias e estratégicas suficientes para sustentar uma decisão consciente de continuidade ( Go / Conditional Go / No-Go ). Nesse contexto, a Análise de Viabilidade assume papel central, devendo contemplar, no mínimo: Alinhamento estratégico do projeto; Exequibilidade técnica; Estimativas iniciais consistentes de CAPEX e OPEX; Projeções de receitas e indicadores financeiros; Identificação das principais incertezas e riscos; Avaliação preliminar de cenários. Os estudos desenvolvidos pela DBEST PLAN  – Engenharia e Tecnologia da Informação , exemplificados no projeto de produção de etanol 2G  a partir de biomassa de cana-de-açúcar, demonstram que esses requisitos são tratados de forma abrangente e estruturada já na Fase de Iniciação. Diferentemente de abordagens tradicionais , que restringem essa etapa a análises determinísticas simplificadas, a DBEST PLAN incorpora metodologias avançadas  de avaliação econômico-financeira e de risco, elevando significativamente o nível de maturidade do projeto desde sua concepção. A viabilidade estratégica é tratada  a partir do enquadramento do empreendimento nas políticas públicas de transição energética, com destaque para a Lei nº 14.993/2024  ( Lei do Combustível do Futuro ), para os programas governamentais PAC - Programa de Aceleração de Crescimento  e PPI - Programa de Parceria de Investimentos  e para os compromissos nacionais de descarbonização. Esse alinhamento atende diretamente às recomendações do PMBOK  quanto à justificativa do negócio  ( business justification ) e à geração de benefícios organizacionais e socioambientais. Sob o aspecto técnico , o projeto apresenta definição clara da rota tecnológica , capacidade instalada, produtividade esperada e benchmarking com plantas de referência, assegurando que as premissas adotadas sejam exequíveis e compatíveis com o estado da arte da tecnologia. Essa abordagem atende ao requisito do PMBOK  de demonstração da viabilidade técnica antes da autorização formal do projeto. No campo econômico-financeiro , a DBEST PLAN vai além  do mínimo recomendado, apresentando já na Iniciação estimativas detalhadas de CAPEX e OPEX, projeções de receitas, cálculo da Taxa Interna de Retorno (TIR), do Valor Presente Líquido (VPL) e do Payback, todos tratados não  como valores fixos, mas como variáveis sujeitas a incertezas. A aplicação da Simulação de Monte Carlo  permite representar esses indicadores de forma probabilística, oferecendo uma visão realista dos riscos  e da dispersão dos resultados esperados. Além disso, são desenvolvidas análises de sensibilidade  e de cenários (pessimista, base e otimista), identificando explicitamente as variáveis críticas como produtividade, preço do etanol e CAPEX e seus impactos sobre a atratividade do projeto . Essa prática está plenamente alinhada às recomendações mais recentes do PMBOK, que enfatizam a importância da gestão da incerteza e do risco desde as fases iniciais do ciclo de vida do projeto. Dessa forma, observa-se que os estudos da DBEST PLAN não apenas atendem aos requisitos  da Fase de Iniciação definidos pelo PMBOK , como também antecipam análises que, em abordagens convencionais, seriam realizadas apenas nas fases de Planejamento ou Pré-Implantação. Essa estratégia reduz significativamente a probabilidade de avanço de projetos estruturalmente inviáveis, protegendo investidores, financiadores e gestores públicos contra decisões baseadas em premissas frágeis ou incompletas. Neste sentido, objetivando uma visão rápida da afirmativa acima, produzimos a tabela 2, abaixo. Tabela 2 – PMBOK Compliance Checklist – DBEST PLAN Conclusão  O artigo “Gerenciamento de Projetos da DBEST PLAN, supera as exigências requeridas, pelo PMBOK , na Fase de Iniciação, e, quando corretamente estruturada, pode e deve incorporar análises típicas de fases posteriores, reduzindo drasticamente o risco de projetos inviáveis avançarem para implantação. Ao integrar  viabilidade técnica, econômica, financeira e probabilística já na Iniciação , a DBEST PLAN se alinha não apenas ao PMBOK, mas às melhores práticas internacionais de governança de projetos de capital intensivo. Por que Projetos de Bioenergia e WTE Promissores Falham? A Resposta Está no PMBOK 8ª Edição

  • POR QUE A ELETRIFICAÇÃO É A BOLA DA VEZ?

    Por Murilo Miceno Frigo A energia elétrica sempre foi descrita como uma forma nobre de energia secundária, capaz de ser gerada, transportada e transformada com eficiência, mas apenas recentemente essa característica ganhou novo peso na discussão pública. Muito se fala hoje em eletrificação, mas nem sempre se compreende por que ela se tornou uma das tecnologias mais estratégicas da transição energética , presente não apenas no debate climático, mas também na reorganização dos sistemas produtivos e digitais. POR QUE A ELETRIFICAÇÃO É A BOLA DA VEZ? O argumento mais comum, de que a eletricidade obtida por energias renováveis estão mais baratas e possuem baixa emissão é correta, mas explica apenas parte do fenômeno. A eletricidade ganhou protagonismo porque se tornou o meio mais versátil e universal  que temos para movimentar máquinas, processar dados, coordenar sistemas e estruturar formas de vida cada vez mais digitais. Essa versatilidade aparece de modo evidente quando observamos que a mesma eletricidade que alimenta motores industriais, bombas de irrigação ou sistemas de transporte é também responsável por permitir o funcionamento de sensores, microchips, telecomunicações e plataformas digitais. Poucas tecnologias atravessam tantas escalas com tanta naturalidade.  Isso ajuda a explicar por que, segundo o relatório Electricity 2024  da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global de eletricidade deverá crescer quatro vezes mais rápido até 2026 do que cresceu no período recente, com mais de 85% desse aumento concentrado em economias emergentes e na China. A eletrificação deixou de ser apenas uma etapa do desenvolvimento industrial para se tornar a base material da sociedade conectada. A explosão dos data centers e da inteligência artificial reforça essa tendência. A IEA estima que o consumo elétrico dessas infraestruturas pode dobrar até 2026, alcançando entre 800 e 1.000 TWh por ano (algo próximo ao consumo elétrico de um Japão inteiro). Plataformas de IA generativa, que exigem volumes gigantescos de processamento, ampliam ainda mais essa pressão: treinar um único modelo avançado pode consumir energia equivalente ao gasto anual de dezenas de milhares de residências. Assim, embora a percepção comum associe eletrificação a carros elétricos, bombas de calor ou industrialização verde, o motor silencioso por trás do aumento da demanda está cada vez mais ligado ao setor digital .  Em termos simples, quanto mais inteligente e interconectada a economia se torna, mais dependente ela fica de fluxos elétricos estáveis, abundantes e confiáveis. Essa transformação qualitativa tem consequências profundas. A eletricidade não é apenas energia que aciona máquinas; é também o suporte físico que possibilita comunicação, tratamento de dados, administração de redes e coordenação em tempo real. Ela é potência e sinal . Movimento e informação . E essa dupla natureza explica por que a eletrificação virou a questão central do planejamento energético global. Os setores de IA, computação em nuvem, telecomunicações, mobilidade, logística e agricultura de precisão convergem para uma infraestrutura crítica cujo denominador comum é a eletricidade. Quando tudo se torna digital, tudo passa a depender de eletricidade. Mas a universalização da eletricidade não é um processo neutro. Conforme a demanda aumenta e se diversifica, surgem tensões sobre como expandir, financiar e regular redes que já operam sob estresse crescente, seja por eventos climáticos extremos, seja pela necessidade de integrar fontes renováveis variáveis. Há zonas do planeta em que data centers concorrem com usos residenciais e industriais por capacidade de rede, enquanto sistemas elétricos frágeis enfrentam picos de carga impostos por tecnologias que exigem energia em tempo real. Diante disso, a IEA alerta que atrasos na expansão de redes, insuficiência de investimento e falta de flexibilidade já representam riscos concretos à segurança energética global. Assim, discutir eletrificação hoje é discutir não apenas sustentabilidade, mas também prioridades de uso, governança e justiça energética. A eletricidade pode permitir saltos de produtividade, autonomia tecnológica e inovação; mas pode também aprofundar desigualdades quando sua disponibilidade, qualidade e custo variam de acordo com território e renda. O desafio contemporâneo consiste em compreender que eletrificar não é só conectar mais pontos à rede, mas reorganizar a forma como energia, dados e decisões circulam pela sociedade.  POR QUE A ELETRIFICAÇÃO É A BOLA DA VEZ? Murilo Miceno Frigo é professor do IFMS, Engenheiro Eletricista e Mestre em Engenharia Elétrica pela UFMS, e Doutor em Engenharia Agrícola (Bioenergia) pela FCA/UNESP. Atua como pesquisador em transição energética e ciência de dados aplicados à energia.

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