China se prepara para um inverno crítico com pressão sobre gás, carvão e rede elétrica de alta tensão
- EnergyChannel Brasil
- há 7 minutos
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Com o frio chegando e previsões de picos históricos na demanda por energia, a análise da National Development and Reform Commission (NDRC) projeta que o inverno de 2025 representará um “teste de estresse” para o sistema energético da People's Republic of China.

A expectativa é de recordes simultâneos de consumo de eletricidade e gás natural, pressionando fortemente a infraestrutura do carvão às redes ultra-alta tensão (UHV).
Demanda no limite
A necessidade de aquecimento nas regiões mais frias, somada à retomada industrial, deve elevar de forma abrupta o consumo de energia. Autoridades chinesas preveem que a carga elétrica e o uso de gás atinjam os maiores níveis já registrados no inverno.
Embora o país mantenha estoques significativos cerca de 230 milhões de toneladas de carvão, suficientes para cerca de 35 dias de consumo, a pressão sobre o sistema permanece intensa.
Infraestrutura sob estresse
A rede de transmissão por Ultra-High Voltage (UHV) usada para transportar energia de regiões produtoras de renováveis e carvão no interior para os grandes centros urbanos ganhará protagonismo.
Mas especialistas alertam que congestionamentos e gargalos regionais podem surgir, especialmente se houver picos simultâneos de demanda em diferentes zonas do país.
A combinação de maior consumo de carvão, gás e uso intensivo da rede elétrica expõe vulnerabilidades estruturais, tanto para produtores quanto para distribuidores.
Renováveis ajudam mas não bastam
Embora a China tenha intensificado nos últimos anos seus investimentos em energia renovável, participam tando fortemente na expansão de solar e eólica, essas fontes ainda têm variabilidade, e não garantem estabilidade em picos de consumo térmico ou industrial. A consequência: o sistema pode voltar a depender fortemente de combustíveis fósseis para garantir a segurança energética.
Impactos no mercado global e nos preços de Commodities
Se o inverno for mais rigoroso, é provável que a demanda por carvão térmico suba significativamente na Ásia, impulsionando preços e desencadeando maior volatilidade nos mercados internacionais. Já o gás natural principalmente o LNG pode ver uma procura inesperada, pressionando contratos spot e elevando os custos regionais.
Equinix aposta em energia nuclear para abastecer data centers de IA na Europa
Em um movimento estratégico para garantir energia confiável e de baixo carbono a seus centros de dados de inteligência artificial, Equinix firmou com a startup francesa Stellaria um acordo para reservar 500 MWe de capacidade elétrica proveniente de reatores nucleares de nova geração. A expectativa é que a energia comece a ser fornecida a partir de 2035.
A tecnologia por trás do acordo
A energia virá do reator modular de sal fundido chamado Stellarium reactor. Esse tipo de reator conhecido no setor como AMR (Advanced Modular Reactor) se destaca por ser compacto, subterrâneo e capaz de operar com alta segurança e eficiência. Por módulo, o reator deve gerar cerca de 110 MWe, e a promessa é de energia “limpa, firme e despachável”, ideal para a demanda constante e intensa de data centers modernos.
Por que a aposta da Equinix
A explosão da demanda por computação em especial a IA exige centros de dados com alta disponibilidade energética, escalabilidade e baixo impacto climático. Ao garantir capacidade nuclear firme, a Equinix reduz riscos de escassez, instabilidade de redes elétricas e dependência de combustíveis fósseis ou energias intermitentes. Além disso, com essa estratégia, a empresa fortalece seu compromisso com a sustentabilidade e eficiência energética.
Tendência entre data center's: energia nuclear e células de combustível
O acordo com a Stellaria faz parte de uma estratégia mais ampla da Equinix para diversificar fontes energéticas. A empresa já mantém parcerias com outros desenvolvedores de reatores modulares e tecnologias de célula de combustível uma aposta para combinar confiabilidade, baixo carbono e autonomia energética no futuro da infraestrutura digital.
Convergência entre crises e soluções energéticas: lições globais
Os dois cenários o inverno desafiador na China e a aposta da Equinix na energia nuclear moderna evidenciam uma mesma dinâmica global: sob a pressão do aumento da demanda e da transição energética, infraestrutura robusta, confiável e diversificada torna-se fundamental.
No caso da China, o risco é de que a dependência em carvão e gás temporários ocorra em detrimento dos objetivos de descarbonização com impactos globais sobre preços e meio ambiente.
Já no setor privado, empresas de tecnologia e dados começam a adotar soluções disruptivas, como reatores modulares e células de combustível, para antecipar desafios energéticos e ambientais.
Essa dualidade crise de oferta e inovação energética mostra que o futuro das redes elétricas e do consumo global dependerá fortemente da capacidade de adaptação: não apenas por meio de renováveis, mas também de tecnologias emergentes e híbridas, que combinam segurança, sustentabilidade e eficiência.
China se prepara para um inverno crítico com pressão sobre gás, carvão e rede elétrica de alta tensão








