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TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel

A modernização da rede de distribuição de energia no Brasil deixou de ser uma pauta técnica para se tornar uma questão de sobrevivência social e econômica.


TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel
TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel

A subterraneização em áreas críticas, a instalação de sistemas de self-healing (auto-recuperação) e a adoção de smart grids são medidas que poderiam mitigar os transtornos que hoje se repetem com frequência. No entanto, tais investimentos exigem capital e, sobretudo, aprovação tarifária por parte da Aneel, que ainda atua de forma tímida diante da urgência climática.


Em dezembro, milhões de residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem energia por dias, sem previsão de retorno. O prejuízo foi incalculável: alimentos perdidos, hospitais em risco, comércio paralisado, escolas sem aulas e famílias vulneráveis. A falta de energia não é apenas um desconforto; é um colapso que atinge diretamente a economia e a dignidade da sociedade brasileira.


TEMPESTADES QUE NOS FAZEM REFLETIR: Investimentos necessários e a dependência da Aneel
Em dezembro, milhões de residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem energia

Smart grids, microrredes e resiliência

As redes inteligentes (smart grids) representam uma mudança de paradigma. Elas permitem monitoramento em tempo real, automação e gestão eficiente, reduzindo perdas e aumentando a confiabilidade. Associadas a recursos energéticos distribuídos como painéis solares, baterias e pequenas turbinas, criam condições para que consumidores se tornem também produtores.


As microrredes, por sua vez, são sistemas locais capazes de operar de forma autônoma em momentos de crise. Quando eventos climáticos derrubam linhas de distribuição, uma microrrede pode continuar fornecendo energia para hospitais, escolas ou comunidades inteiras.


Essa resiliência é fundamental em um cenário em que cientistas já alertavam há décadas: o aquecimento global traria consequências severas. Hoje, vemos enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e tempestades cada vez mais intensas.


O risco dos eventos extremos

Até agora, os eventos extremos não atingiram de forma significativa as grandes linhas de transmissão, subestações e usinas geradoras. Mas é apenas uma questão de tempo. Quando a fúria da natureza alcançar esses pontos nevrálgicos, o colapso será inevitável.


A sociedade precisa escolher: manter um sistema centralizado e vulnerável ou investir em um modelo distribuído e resiliente. Produzir e armazenar a própria energia é, cada vez mais, a solução mais plausível.


Conversa com um técnico de concessionária

Em conversa com um técnico de uma concessionária, que preferiu não se identificar, ouvi uma observação reveladora: modernizar a rede elétrica com sensores e dispositivos inteligentes é vantajoso para a própria empresa, pois evita gastos com equipes de rua para resolver problemas que poderiam ser solucionados remotamente. Esse comentário mostra que a modernização não é apenas uma demanda social, mas também uma oportunidade de eficiência operacional.


O problema é que falta vontade política e regulatória, além de resistência de quem lucra com a situação atual.


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O papel da Aneel e os limites da regulação

A Aneel precisará revisar os parâmetros impostos às concessionárias. Hoje, a modernização está restrita, em grande parte, à troca de medidores por equipamentos digitais que permitem ao consumidor migrar para outro mercado.


Essa lógica não visa a resiliência ou a segurança energética dos cidadãos, mas sim abrir espaço para comercializadoras venderem condições meramente comerciais. É uma modernização voltada ao mercado, não à sociedade.


Se a agência reguladora não assumir o protagonismo de exigir investimentos em subterraneização, automação e redes inteligentes, o Brasil continuará preso a um modelo obsoleto. A regulação precisa ser redesenhada para priorizar segurança energética, resiliência e sustentabilidade, e não apenas competição comercial.


Tecnologias já existem

O mais frustrante é que as tecnologias já estão disponíveis. A geração distribuída, que consiste em produzir energia próxima ao local de consumo, deveria ser incentivada de forma massiva. Painéis solares em telhados, baterias comunitárias e pequenas centrais hidrelétricas poderiam reduzir a dependência de grandes sistemas e aumentar a autonomia das comunidades. Mas, novamente, esbarramos em barreiras regulatórias e interesses econômicos.


Reflexão final: duas vias de um mesmo caminho

Mitigar os eventos climáticos e realizar a transição energética são duas vias de um mesmo caminho. Não basta apenas reduzir emissões de carbono; é preciso construir sistemas capazes de resistir às consequências já inevitáveis do aquecimento global.


A modernização da rede elétrica brasileira é, portanto, um imperativo ético, econômico e civilizatório.


Se não enfrentarmos a dependência da Aneel e a inércia das concessionárias, continuaremos a assistir a apagões que paralisam cidades inteiras. A escolha está diante de nós: ou seguimos presos a um modelo vulnerável, ou abraçamos a oportunidade de construir um sistema elétrico resiliente, inteligente e distribuído.


O futuro da energia no Brasil não é apenas uma questão técnica é uma questão de sobrevivência.


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