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  • Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais

    Em meio a mudanças rápidas nas políticas tarifárias e a uma escalada de tensões comerciais, cresce a percepção entre executivos norte-americanos de que a sustentabilidade corporativa pode deixar de ser prioridade. Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais Uma nova análise de mercado mostra que 56% dos líderes empresariais nos EUA acreditam que terão de reduzir metas ou projetos ESG  diante do aumento de custos e incertezas em suas cadeias de suprimentos. Dentro desse grupo, um quinto prevê impactos severos , capazes de modificar planejamentos estratégicos inteiros. Essa mudança de postura acende um alerta sobre a capacidade das empresas manterem compromissos climáticos em um cenário onde pressões econômicas se sobrepõem às agendas ambientais. Tensões externas redesenham a cadeia de suprimentos O levantamento indica que 72% dos executivos consideram tarifas e disputas comerciais o maior risco externo para suas operações , ultrapassando preocupações antes dominantes, como clima extremo ou desafios trabalhistas. Na prática, isso significa: Revisão urgente de contratos e fornecedores Aumento dos custos logísticos Maior dificuldade para cumprir metas de descarbonização Risco de interrupções prolongadas na cadeia global Para analistas, esses fatores combinados podem comprometer não apenas metas climáticas individuais, mas a competitividade das empresas que dependem de cadeias complexas e globalizadas. Compromisso ESG perde força e apenas minoria mantém postura firme Mesmo com a importância crescente da sustentabilidade no mercado global, apenas 23% das empresas afirmam que manterão suas políticas ESG independentemente das pressões econômicas . A tendência indica um afastamento momentâneo ou talvez estrutural do discurso de responsabilidade ambiental que dominou o ambiente corporativo na última década. Riscos ambientais permanecem no topo do radar Apesar das concessões planejadas, a alta liderança continua enxergando o clima como um fator de risco central: 41% apontam eventos climáticos extremos  como ameaça direta ao desempenho financeiro. 40% citam conflitos geopolíticos  como risco crítico de médio e longo prazo. Ou seja, mesmo enquanto parte das empresas reduz o foco em sustentabilidade, há consciência crescente de que o impacto climático pode ser tão prejudicial quanto uma guerra comercial . O que isso significa para o futuro das estratégias ESG A pressão econômica atual expõe um dilema central: como avançar em sustentabilidade quando o ambiente competitivo se torna imprevisível? Especialistas apontam que as empresas que conseguirem alinhar gestão de risco, inovação em cadeias de suprimento e estratégias ESG serão as mais preparadas para enfrentar ciclos prolongados de instabilidade. Para setores como energia, infraestrutura e tecnologia altamente dependentes de fornecedores globais o desafio é ainda maior. Conclusão O cenário descrito revela um ponto de inflexão na política corporativa dos EUA . A sustentabilidade, antes vista como pilar estratégico, começa a ser pressionada pela realidade das disputas comerciais e por novos custos operacionais. Para o EnergyChannel, esse movimento reforça a importância de acompanhar de perto como grandes empresas estão equilibrando competitividade, segurança de suprimentos e compromissos climáticos especialmente em um mercado global cada vez mais interdependente. Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais

  • Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária

    Acordo de US$ 72 bilhões promete redefinir a disputa global por streaming e conteúdo premium Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária O mercado de mídia e entretenimento foi sacudido por uma das movimentações mais ambiciosas da história recente: a Netflix iniciou o processo para adquirir a Warner Bros. por aproximadamente US$ 72 bilhões , em um negócio que promete reconfigurar profundamente o equilíbrio de forças no streaming global. Segundo apuração do EnergyChannel , a operação marca um novo capítulo no esforço das grandes plataformas de ampliar seus catálogos, fortalecer suas bibliotecas de conteúdo próprio e enfrentar a crescente saturação do setor. O movimento acontece em um momento em que conglomerados tradicionais de mídia revisam suas estratégias e buscam reorganizações internas para lidar com mudanças aceleradas no comportamento de consumo. Reestruturação interna abre caminho para o negócio Para viabilizar a negociação, a Warner Bros. está reorganizando seus ativos, separando suas operações de estúdios de cinema e TV incluindo produções icônicas de Hollywood do braço de streaming ligado ao HBO Max, hoje um dos pilares da empresa no ambiente digital. A divisão também envolve o redesenho do portfólio de redes de televisão, que historicamente sustentaram o grupo, mas que enfrentam queda contínua de audiência e receita publicitária. Esse redesenho corporativo facilita a absorção ágil das unidades mais estratégicas pela gigante do streaming, preservando sinergias de conteúdo e permitindo que a Netflix incorpore peças-chave sem herdar estruturas consideradas menos competitivas no cenário atual. Concorrência acirrada marca a disputa A corrida para adquirir a Warner não foi exclusiva. A operação atraiu o interesse de outros pesos-pesados do setor, como Paramount  e Comcast , que também apresentaram propostas. A forte concorrência evidencia o valor estratégico do portfólio da Warner Bros., que reúne franquias mundialmente reconhecidas, propriedades intelectuais consolidadas e uma das máquinas de produção mais tradicionais do entretenimento. No entanto, fontes de mercado indicam que a Netflix avançou com maior velocidade e disposição para fechar um acordo robusto, enxergando na aquisição uma oportunidade de consolidar uma posição dominante no streaming e ampliar sua presença no segmento premium especialmente em séries, filmes de grande orçamento e conteúdos já consagrados pelo público global. O que muda para o mercado de streaming Se concretizado, o negócio terá impacto direto sobre a dinâmica competitiva entre plataformas. Analistas apontam possíveis efeitos imediatos: Fortalecimento do catálogo da Netflix , que passaria a controlar franquias de enorme apelo comercial; Pressão sobre concorrentes , que teriam de acelerar investimentos em conteúdo próprio para compensar a perda de títulos disputados; Aumento da fragmentação regulatória , já que o acordo deve enfrentar escrutínio de autoridades em diversos países; Redefinição do modelo de produção , com a Netflix consolidando estúdios próprios e ampliando sua capacidade de entregar grandes lançamentos de forma contínua. Um marco para a indústria A eventual união entre Netflix e Warner Bros. seria mais do que uma transação de alto valor representaria um ponto de virada para a indústria global de entretenimento, que vive uma fase de consolidação acelerada. Quanto maior o acervo e a capacidade de produção, maior a vantagem competitiva no ecossistema atual, marcado por disputas intensas por assinantes, fidelização e relevância cultural. Enquanto os detalhes finais ainda estão em negociação, o mercado observa atentamente os próximos passos. A concretização do acordo pode inaugurar um novo ciclo de concentração e redefinir, mais uma vez, o que significa ser líder no universo do streaming. Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária

  • Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE

    O consumo de energia no Brasil registrou uma queda relevante em outubro de 2025, reflexo direto das temperaturas mais brandas que reduziram o uso de refrigeração e sistemas de climatização em todo o país. Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE Dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) revelam que o recuo foi de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2024 , interrompendo uma trajetória de crescimento observada ao longo do ano. Segundo especialistas consultados pelo EnergyChannel , o comportamento climático teve papel decisivo na demanda das distribuidoras e consumidores livres especialmente em regiões que passaram por semanas consecutivas de temperaturas abaixo da média histórica. “Quando o calor diminui, o impacto é imediato nas cargas residenciais e comerciais, que deixam de acionar ar-condicionado e ventilação artificial”, explica a CCEE no relatório mensal. Impacto setorial e comportamento dos consumidores O mercado cativo composto por residências e pequenos negócios foi o segmento que mais sentiu a mudança. Já no mercado livre, que reúne grandes empresas e indústrias, o consumo apresentou estabilidade, influenciado pela retomada gradual de alguns setores produtivos ao longo do segundo semestre. A análise da CCEE também indica que o cenário climático ajudou a suavizar a pressão sobre o sistema elétrico em um momento em que o país acompanha atentamente os níveis de reservatórios e a expansão das fontes renováveis. Com geração solar e eólica em alta, o despacho térmico permaneceu controlado durante boa parte do mês. Perspectivas para o fim de 2025 A projeção para os últimos meses do ano dependerá da oscilação das temperaturas e do comportamento da economia. Se confirmados os prognósticos de um verão mais úmido e menos intenso, a tendência é de que o consumo siga em ritmo moderado, mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda no Sistema Interligado Nacional. Para o setor elétrico, o movimento reforça a importância de ampliar ferramentas de gestão e previsão de carga, cada vez mais influenciadas por variáveis climáticas. A CCEE deve divulgar um balanço atualizado no início de 2026, trazendo as primeiras leituras consolidadas sobre o comportamento do consumo pós-primavera. Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE

  • Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN

    De acordo com Yuri Schmitke, presidente da ABREN, o país utiliza atualmente apenas 1,5% do potencial nacional do biometano e 5,6% do potencial do biogás, muito aquém do que poderia usar; Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN O executivo participou nesta quinta-feira (04) do Fórum de Infraestrutura Brasil–Suíça 2025, em São Paulo, e apresentou um panorama da energia de resíduos no Brasil  São Paulo (SP), 05 de dezembro de 2025 –  O Brasil utiliza atualmente apenas 1,5% e 5,6% de seu potencial com relação à utilização do biometano e do biogás, respectivamente. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (04/12) pelo presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, durante participação no Fórum de Infraestrutura Brasil–Suíça 2025, realizado em São Paulo. O executivo integrou o painel “ Waste-to-Energy e biogás: escalando a gestão sustentável de resíduos no Brasil ”. Além do representante da ABREN, participaram do debate Danilo Perecin , diretor de Energia da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP (Semil), Alexandre Anderáos , superintendente adjunto de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Diego Nicoletti , representante da Solví, e Gustavo Dorota de Mello , diretor de Engenharia e Remediação da EBP Brasil, empresa associada da ABREN. Segundo Schmitke, no caso do biometano, o potencial nacional de produção desse combustível é estimado em 44,1 bilhões Nm3/ano. Porém, em 2024, foram produzidos apenas 0,67 bilhões Nm3/ano em 53 usinas, ou seja, o equivalente a apenas 1,5% do potencial nacional. Os setores que têm maior capacidade de produção são os segmentos sucroenergético e agroindustrial, que, juntos, somam 95% do potencial total. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN Com relação ao biogás, o potencial brasileiro de produção é de 84,6 bilhões de Nm3/ano, muito acima dos 4,7 bilhões de Nm3/ano produzidos em 2024. Esse montante, gerado por 1.587 usinas, equivale a apenas 5,6% do potencial nacional. Neste caso, assim como no biometano, os segmentos com maior capacidade de produção do biogás são os setores sucroenergético e agroindustrial, que, juntos, respondem a 92% do total. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN De acordo com Schmitke, o biogás e o biometano são fundamentais no contexto da transição energética no Brasil. “ Essas duas rotas tecnológicas são complementares a outras formas de geração de energia limpa e renovável e vivem atualmente um momento de desafios para que possam expandir. O biogás, por exemplo, enfrenta ainda a questão da competitividade em relação às demais fontes renováveis, pois carece de um preço de referência que viabilize contratos de longo prazo ”. “O biometano, por sua vez, desponta como o combustível do futuro, com papel estratégico na descarbonização dos transportes e na substituição do diesel e do gás natural fóssil. A partir de 2026, entram em vigor o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), e em 2027 o sistema de créditos de carbono regulados (SBCE), que garantirão rastreabilidade, monetização das emissões evitadas e reconhecimento”, complementou o especialista. O representante da ABREN destacou, ainda, que mesmo após duas décadas de tramitação no congresso e 15 anos de vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a quantidade de resíduos sólidos urbanos destinada a lixões e aterros controlados, que deveriam ter sido extintos em 2014, praticamente não se alterou em termos percentuais. Atualmente, mais de 40% dos resíduos urbanos são descartados em locais inadequados. Por outro lado, o mundo já desponta com 3.000 usinas de recuperação energética, destacando-se Europa (500), China (1.138), Japão (1.000) e USA (80), e o Brasil tem um potencial de instalar 130 usinas de 20MW, totalizando 3.3 GW de potência instalada, com investimentos aproximados de R$ 180 bilhões nos próximos anos.  “Mesmo com esse potencial gigantesco, o Brasil ainda se encontra parado no tempo e dependente de lixões e aterros sanitários. Ainda dá tempo de o país acabar com os entraves que inviabilizam o desenvolvimento do biogás, do biometano e da recuperação energética para, assim, aproveitarmos todo o potencial desses dois combustíveis a nível nacional. Mas, para isso, é preciso agir com eficácia e efetividade, além de vontade política”, concluiu Schmitke. Sobre a ABREN: A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil.  A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil. Conheça mais detalhes sobre a ABREN acessando o site , Linkedin , Facebook , Instagram  e YouTube  da associação. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN

  • Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil

    As importações de veículos pesados no Brasil iniciaram 2025 com movimentos opostos dentro do mesmo setor. Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil Enquanto o mercado como um todo recuou, acompanhando um cenário global de ajustes logísticos e retração de demanda, o segmento de ônibus elétricos seguiu o caminho inverso e acelerou com força, tornando-se o protagonista da eletrificação pesada no país. Levantamento exclusivo realizado pelo EnergyChannel  mostra que, embora o valor total importado de pesados somando caminhões, ônibus, reboques e semirreboques tenha caído aproximadamente 8% na comparação anual, chegando a US$ 193,7 milhões, o transporte de passageiros impulsionou a curva positiva da eletrificação. As compras internacionais de ônibus elétricos mais do que dobraram: avançaram de US$ 5,1 milhões em 2024 para US$ 12,7 milhões em 2025, crescimento de 149% . Esse salto contrasta fortemente com o desempenho dos demais nichos. O setor de caminhões elétricos, por exemplo, apresentou retração significativa de 38% , encerrando o período com US$ 34,5 milhões em importações. Já os ônibus a diesel ainda amplamente majoritários na logística nacional permaneceram estáveis, mas com leve variação negativa de 3%, totalizando US$ 146,5 milhões. Espírito Santo concentra a maior fatia das importações Outro ponto que chamou atenção foi a concentração geográfica. O Espírito Santo, porta de entrada estratégica para a indústria automotiva, respondeu por 83%  de todo o valor importado relacionado a veículos pesados no período. O dado reforça o papel logístico do estado como hub da mobilidade sustentável, especialmente no segmento de coletivos e veículos de grande porte. Eletrificação avança por nichos e nem todos seguem o mesmo ritmo O comportamento desigual entre categorias também aparece no mercado de veículos leves eletrificados, sugerindo que a transição energética no Brasil ocorre em velocidades distintas. No caso dos pesados, a tendência é clara: onde há pressão por renovação de frota, metas ambientais e demanda crescente por eficiência operacional como no transporte urbano de passageiros a eletrificação avança de forma mais visível. Já no setor de carga, desafios como custo inicial elevado, infraestrutura de recarga limitada e modelos ainda em maturação tecnológica ajudam a explicar o ritmo mais lento de adoção. Um sinal do que vem pela frente O desempenho robusto dos ônibus elétricos no início de 2025 indica que o transporte coletivo pode se tornar o principal vetor da descarbonização pesada no Brasil. Com grandes cidades estruturando políticas de renovação de frota e pressão crescente por redução de emissões, o mercado abre espaço para novos player's, parcerias e cadeias de fornecimento mais integradas. Para a indústria, o cenário revela oportunidades claras: se o país mantiver a expansão desse segmento, a próxima fase pode incluir desde fábricas locais até programas de eletrificação regional mais robustos impulsionando empregos, inovação e sustentabilidade. Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil

  • Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil

    Por décadas, a energia nuclear foi sinônimo de grandes obras, altos custos e riscos que marcaram a história. Mas uma nova onda tecnológica está reacendendo o debate dessa vez com uma promessa que parecia ter sido esquecida nos arquivos da ciência dos anos 1960: os reatores de sal fundido alimentados por tório. Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil A tecnologia, que havia sido engavetada por pressões políticas e prioridades militares da Guerra Fria, volta agora ao centro do palco graças a uma empresa dinamarquesa que quer redefinir o setor: a Copenhagen Atomics. E nessa corrida global silenciosa, o Brasil ocupa um lugar privilegiado — ainda que subaproveitado. O país detém uma das maiores reservas conhecidas de tório no mundo, um elemento que pode se tornar o combustível-chave dessa nova geração de energia nuclear. Por que o tório voltou a ser estratégico? O tório, por si só, não é um combustível nuclear ativo. Ele precisa ser convertido em urânio-233 um isótopo capaz de sustentar uma reação nuclear contínua e altamente eficiente. A reação funciona assim: O tório-232 absorve nêutrons provenientes de pequenas quantidades de urânio-235 ou plutônio-239. Converte-se em tório-233. Que, por decaimento natural, transforma-se em urânio-233, o verdadeiro combustível. Esse mecanismo, conhecido por pesquisadores desde a década de 50, gera mais nêutrons do que consome, criando um ciclo sustentado e extremamente eficiente algo que os defensores da tecnologia chamam de “a chama que se autoalimenta”. Mas não é apenas a eficiência que chama atenção. É a segurança . Reatores que não explodem e se desligam sozinhos O modelo proposto pela Copenhagen Atomics abandona totalmente as tradicionais barras sólidas de combustível usadas em Angra ou nos reatores dos EUA e Europa. No lugar delas, o novo sistema dissolve o combustível em uma mistura líquida de sais um fluido que opera próximo de 700°C , mas sem pressão. Esse desenho elimina vários dos riscos associados aos reatores convencionais: Não há pressão interna , portanto não há risco de explosões de vapor. O sal é quimicamente estável : em caso de vazamento, ele endurece e aprisiona a radiação. O sistema conta com um “plug” de sal congelado , que derrete automaticamente se houver qualquer aumento inesperado de temperatura. Assim, o combustível escorre por gravidade para tanques de segurança, encerrando a reação instantaneamente. É o conceito que a indústria apelidou de walk-away safe : até se todos forem embora, o reator se protege sozinho. Blindagem extrema e operação remota Apesar da segurança térmica e química, existe um desafio inescapável: a radiação gama produzida durante a geração do urânio-233. Ela é tão intensa que impede completamente qualquer acesso humano durante a operação. Por isso, a Copenhagen Atomics desenvolveu um formato de reator que mais se assemelha a um “cofre nuclear”: Cada unidade é lacrada dentro de um contêiner de aço especial com até 20 cm de espessura . O módulo completo pode pesar mais de mil toneladas . A manutenção é inexistente: ao final do ciclo de cinco anos, o reator inteiro é substituído, não reparado. Toda a operação é remota, automatizada e monitorada por sensores internos. Reunidos em série, 25 desses contêineres formam uma “bateria nuclear modular”, capaz de abastecer indústrias e pequenos parques industriais com energia firme e contínua. Queima de resíduos nucleares: do passivo ao ativo energético Um dos pontos mais controversos da energia nuclear sempre foi o lixo radioativo — mas o reator de sal fundido promete virar esse jogo. Em vez de gerar resíduos que precisam ser isolados por milhares de anos, a tecnologia: produz rejeitos que se estabilizam em algumas centenas de anos; pode consumir  parte dos resíduos antigos como combustível de partida. Isso é particularmente relevante para países como o Brasil, que acumulam rejeitos das usinas de Angra há décadas. Um novo modelo de negócio nuclear Diferentemente das usinas tradicionais, que exigem megainvestimentos e anos de obras, a Copenhagen Atomics opera quase como uma fornecedora de máquinas industriais: O cliente aluga  o reator por cinco anos. A empresa entrega, instala, opera e monitora. Ao fim do contrato, retira ou substitui o módulo. Cada unidade entrega de 8 a 10 MW térmicos  (cerca de 2 a 3 MW elétricos ), energia suficiente para alimentar até 3 mil residências  ou uma fábrica de médio porte. O objetivo da empresa é produzir um reator por dia  em linha de montagem — algo jamais visto na indústria nuclear. Custo da energia: uma revolução possível A Copenhagen Atomics estima que, em escala industrial, o custo da energia desses reatores pode cair para US$ 20 a US$ 40 por MWh patamar inferior ao gás natural e altamente competitivo frente à energia solar e eólica, com a vantagem de ser contínua . Para comparação, o custo médio da energia nuclear tradicional supera US$ 100 por MWh . China assume a dianteira e prova que funciona A China foi a primeira a colocar um reator de sal fundido moderno em operação: Funcionamento estável por 10 dias em 2024. Em 2025, conseguiu reabastecer o reator sem desligá-lo , um marco inédito. Enquanto isso, a Copenhagen Atomics prepara seus testes oficiais na Suíça para 2026 — um processo que deve durar quatro anos até atingir plena operação. Os desafios que ainda travam a nova era nuclear Apesar do entusiasmo global, a tecnologia enfrenta barreiras consideráveis: Materiais resistentes a 700°C, corrosão química e radiação intensa . Equipamentos que precisam funcionar cinco anos sem falhar  — nenhuma solda, bomba ou sensor pode apresentar defeito. Processos de licenciamento extremamente rigorosos , que podem levar uma década. Mas o avanço de China, Dinamarca e outros atores indica que o setor nuclear pode estar às portas de sua maior transformação desde os anos 1950. E o Brasil? O gigante do tório ainda adormecido Detentor de uma das maiores reservas de tório do planeta particularmente nas areias monazíticas do litoral o Brasil tem potencial para se tornar fornecedor estratégico dessa nova cadeia global. Ao mesmo tempo, acumula centenas de toneladas de resíduos que poderiam, no futuro, ser convertidas em combustível para reatores avançados. A pergunta que se impõe é inevitável: o país vai liderar ou apenas assistir à virada tecnológica que pode redesenhar o mapa da energia mundial? Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil

  • Micromobilidade redefine trajetos urbanos na Europa com novos modelos de integração

    A transformação da mobilidade urbana europeia entrou em uma nova fase e a micromobilidade está no centro dessa virada. Micromobilidade redefine trajetos urbanos na Europa com novos modelos de integração Um conjunto de cidades-piloto avança na criação de modelos de simulação que irão orientar como bicicletas, e-scooters, novos corredores de transporte e hubs de mobilidade poderão operar de forma integrada nos próximos anos. O trabalho, conduzido por um laboratório europeu especializado em inovação urbana, está desenvolvendo cenários personalizados para cada cidade envolvida, com o objetivo de identificar a melhor combinação entre infraestrutura existente, expansão do transporte público e uso crescente de meios leves de deslocamento. Regras mais eficientes mudam comportamento em Hannover Em Hannover, na Alemanha, um dos principais insights preliminares do estudo aponta para o impacto direto de regulações mais inteligentes. Ajustes recentes em zonas de velocidade reduzida, compartilhamento de vias e padronização de regras para veículos leves incentivaram moradores a adotar alternativas menos poluentes e mais rápidas para trajetos curtos. Segundo os especialistas ouvidos pelo EnergyChannel, a cidade vem observando: Aumento expressivo no uso de bicicletas elétricas , impulsionado por políticas de incentivo e espaços mais seguros; Redução de conflitos entre ciclistas, pedestres e automóveis , graças a novos modelos de organização urbana; Melhor aproveitamento dos hubs de mobilidade , que conectam transporte público com micromobilidade. O laboratório destaca que Hannover se tornou um exemplo importante de como ajustes regulatórios podem acelerar a adoção de soluções sustentáveis sem a necessidade de grandes obras. Sevilha ganha novo fôlego com bicicletas impulsionadas por turistas Já em Sevilha, na Espanha, o estudo revela que o ciclismo especialmente incentivado por visitantes tornou-se uma força inesperada na reorganização do tráfego urbano. O fluxo crescente de turistas usando bicicletas compartilhadas ajudou a: Pressionar pela ampliação de ciclovias e corredores verdes , hoje distribuídos por toda a região central; Estimular programas de educação e convivência no trânsito , voltados tanto a residentes quanto a visitantes; Criar uma economia local relacionada à micromobilidade , com novos serviços, oficinas e operadores privados. A tendência, segundo as projeções, deve continuar moldando as decisões municipais nos próximos anos, com Sevilha caminhando para consolidar-se como um dos destinos mais amigáveis ao ciclismo no sul da Europa. Um novo mapa de deslocamentos urbanos na Europa As simulações em desenvolvimento pretendem oferecer às cidades uma visão detalhada de como integrar: sistemas de bicicletas e patinetes compartilhados; corredores de ônibus e VLTs; hubs de mobilidade conectados ao transporte regional; zonas de baixa emissão e áreas de tráfego restrito. A expectativa é que essa abordagem integrada ajude a reduzir congestionamentos, emissões e custos operacionais, ao mesmo tempo que melhora a experiência de deslocamento para moradores e visitantes. Para o EnergyChannel, o movimento confirma uma tendência clara: a micromobilidade está deixando de ser um complemento e passando a ocupar papel estratégico no planejamento urbano europeu . Micromobilidade redefine trajetos urbanos na Europa com novos modelos de integração

  • Geely vira protagonista e acirra disputa dos elétricos no Brasil com salto histórico em novembro

    A corrida pelos veículos 100% elétricos ganhou um novo protagonista no Brasil. Em novembro, a Geely recém-chegada ao mercado e ainda com um portfólio reduzido protagonizou uma das maiores viradas do ano ao assumir a vice-liderança de vendas entre os BEVs. Foram 985 unidades emplacadas no mês, desempenho que colocou a marca chinesa diretamente atrás da líder BYD e à frente de fabricantes já estabelecidas no país. Imagem, crédito: Geely vira protagonista e acirra disputa dos elétricos no Brasil com salto histórico em novembro O avanço surpreendente consolida o EX2 como um dos modelos mais competitivos do segmento: sozinho, ele respondeu por 835 unidades, segundo dados da FENABRAVE. O EX5 completou o resultado mensal e ajudou a empurrar a Geely para um patamar que poucas estreantes alcançam tão rapidamente. Mercado desacelera, mas cresce no ano e a Geely se destaca no meio disso Mesmo com um recuo de 7,97% nas vendas de elétricos em relação a outubro, o mercado brasileiro manteve uma trajetória de expansão robusta: foram 7.202 BEVs emplacados em novembro, crescimento de 43,61% na comparação anual. No acumulado de 2025, o país já soma 67.913 elétricos vendidos alta de 21,75% sobre o mesmo período de 2024. A Geely, que iniciou suas operações há poucos meses, aparece na quarta colocação anual com 1.639 unidades, ultrapassando marcas tradicionais e sinalizando forte aceitação do consumidor brasileiro. A liderança geral permanece nas mãos da BYD, que registrou 4.485 emplacamentos em novembro. A Volvo segurou o terceiro lugar com 350 unidades e continua sendo a segunda força do ano no segmento premium. GM e Renault dividiram a quarta posição mensal, ambas com 296 unidades vendidas. No Top 10 também aparecem GWM, GAC, BMW, Omoda Jaecoo e JAC confirmando a diversidade de players que disputam a eletrificação no país. Por que a ascensão da Geely importa para o mercado brasileiro A arrancada da Geely ocorre em um momento em que o consumidor brasileiro demonstra maior confiança nos elétricos compactos e acessíveis exatamente a proposta dos modelos EX2 e EX5. O desempenho robusto em novembro reforça o potencial de crescimento da marca e sinaliza uma disputa cada vez mais equilibrada no segmento de entrada dos BEVs. Para o mercado, a ascensão acelerada da Geely funciona como um vetor de competitividade: amplia a oferta, pressiona preços e acelera a adoção de tecnologias importadas da China, hoje responsável por grande parte da inovação global em mobilidade elétrica. Top 10 BEVs – Novembro de 2025 BYD – 4.485 (62,27%) Geely – 985 (13,68%) Volvo – 350 (4,86%) GM – 296 (4,11%) Renault – 296 (4,11%) GWM – 214 (2,97%) GAC – 186 (2,58%) BMW – 78 (1,08%) Omoda Jaecoo – 67 (0,93%) JAC – 57 (0,79%) Top 10 BEVs – Acumulado Jan–Nov 2025 BYD – 49.995 (73,62%) Volvo – 4.587 (6,75%) GWM – 2.865 (4,22%) Geely – 1.639 (2,41%) GM – 1.597 (2,35%) Renault – 1.531 (2,25%) GAC – 1.177 (1,73%) BMW – 874 (1,29%) Omoda Jaecoo – 669 (0,99%) JAC – 536 (0,79%) Geely vira protagonista e acirra disputa dos elétricos no Brasil com salto histórico em novembro

  • China avança em bateria sólida de nova geração e mira produção em escala já em 2027

    A indústria chinesa de armazenamento de energia movimentou o setor automotivo nesta semana ao apresentar um dos desenvolvimentos mais ousados rumo à próxima geração de baterias de estado sólido. Créditos | Foto de: Li Auto A Sunwoda Electronic, em parceria tecnológica com a fabricante Li Auto, revelou um protótipo avançado de bateria polimérica que pode redefinir o padrão de desempenho dos veículos elétricos (VEs) a partir de 2027. Batizado de Xin-Bixiao , o novo sistema de armazenamento promete combinar alta densidade energética, durabilidade ampliada e custos industriais mais competitivos uma equação que hoje desafia fabricantes em todo o mundo. Segundo dados apresentados na Conferência de Desenvolvimento da Indústria de Baterias de Nova Energia , em Pequim, o eletrólito polimérico reticulado utilizado no projeto representa um avanço relevante em relação às soluções sulfuradas, que ainda enfrentam entraves de produção e estabilidade. Autonomia de 1.000 km e vida útil para mais de 1 milhão de quilômetros De acordo com a Sunwoda, a bateria atinge 400 Wh/kg  de densidade energética e mantém desempenho consistente por mais de 1.200 ciclos suficiente para superar 1 milhão de quilômetros  de rodagem em um veículo elétrico de uso cotidiano. Na prática, a tecnologia abre caminho para VEs com 1.000 km de autonomia por recarga , um patamar que reposiciona o mercado global e pressiona concorrentes europeus, japoneses e norte-americanos. O segredo da arquitetura está na utilização de ânodo de lítio metal com revestimento em gradiente , estratégia projetada para melhorar a condutividade iônica e minimizar a formação de dendritos, tradicional desafio que compromete segurança e longevidade em projetos de estado sólido. Laboratório já mira 520 Wh/kg e planos industriais avançam Um dos pontos que mais chamou atenção do EnergyChannel é a existência de uma versão de laboratório que já alcança 520 Wh/kg , utilizando a mesma base tecnológica. Embora ainda não esteja pronta para adoção automotiva, a demonstração reforça a velocidade das pesquisas chinesas e antecipa possíveis saltos de eficiência na segunda metade da década. Para levar a bateria ao mercado, a Sunwoda projeta concluir até o final de 2025 uma linha piloto de 0,2 GWh dedicada a células poliméricas de estado sólido . A empresa afirma que os equipamentos industriais estão instalados e passam pela fase final de calibração. Produção começa em 2026 e escala GWh em 2027 O cronograma divulgado pela fabricante estabelece produção inicial em pequenos lotes já para 2026 , com escala comercial em nível de gigawatts-hora a partir de 2027 . Montadoras chinesas e marcas premium globais já estão em conversas avançadas para integrar a Xin-Bixiao a futuros modelos topo de linha, o que coloca a tecnologia como candidata direta ao mercado internacional. Para o setor automotivo chinês, o impacto vai além da autonomia: trata-se de uma oportunidade para consolidar uma liderança global em inovação energética. Chen Shihua , vice-secretário-geral da Associação Chinesa dos Fabricantes de Automóveis, destacou que a chegada das baterias sólidas em massa “pode redefinir o equilíbrio competitivo dos veículos elétricos e fortalecer o domínio tecnológico da China” . Por que isso importa para o mercado global de energia? – Análise EnergyChannel Mudança de paradigma:  Baterias de 400–520 Wh/kg colocam em xeque plataformas baseadas em lítio-ion convencional, que hoje giram entre 250–300 Wh/kg. Menos recargas, mais durabilidade:  Autonomias de 1.000 km reduzem custos e devem acelerar a adoção de VEs em mercados que ainda hesitam por infraestrutura. Indústria em transição:  A China avança rapidamente para dominar a cadeia de suprimentos e ditar o ritmo da próxima geração de tecnologias de armazenamento. Portas abertas para novos modelos de negócios:  Montadoras premium tendem a adotar a tecnologia para criar versões de alta performance com diferenciação energética real. China avança em bateria sólida de nova geração e mira produção em escala já em 2027

  • Brasil Avança na Modernização do Setor Elétrico com a Implementação de Medidores Inteligentes

    Por FREDERICO BOSCHIN O governo brasileiro deu mais um passo decisivo para a modernização da sua infraestrutura energética, estabelecendo um quadro regulamentar robusto para a digitalização da rede de distribuição de energia elétrica do país.  Brasil Avança na Modernização do Setor Elétrico com a Implementação de Medidores Inteligentes Através da Portaria Normativa MME Nº 111, de 18 de junho de 2025 , e da proposta detalhada na Nota Técnica N° 28/2025 , o Ministério de Minas e Energia (MME) delineia um plano ambicioso para acelerar o investimento em inovação e implementar medidores inteligentes em larga escala, prometendo um sistema elétrico mais eficiente, resiliente e transparente para milhões de brasileiros. A iniciativa visa substituir os medidores convencionais por dispositivos inteligentes, promovendo uma transformação digital gradual mas impactante, com um horizonte de implementação de até 10 anos. Objetivos Estratégicos da Digitalização. A referida Portaria Normativa estabelece que a digitalização vai além da simples troca de equipamentos; o objetivo é promover uma série de benefícios diretos para os consumidores e para o setor como um todo, incluindo: Inovação e Novos Serviços : Estimular a criação de novas soluções e serviços no setor elétrico; Abertura de Mercado : Favorecer a abertura do mercado de energia para consumidores de baixa tensão; Transparência e Eficiência : Aumentar a transparência sobre os dados de consumo e operação da rede, ajudando a reduzir perdas não técnicas (como furtos) e a inadimplência; Transição Energética : Impulsionar a transição para um modelo energético mais limpo e eficaz; e Modicidade Tarifária : Otimizar o uso e a operação dos sistemas elétricos para manter as tarifas justas. Uma Estratégia de Duas Fases para uma Rede Inteligente. A proposta do governo adota uma abordagem dupla, exigindo ação imediata a curto prazo enquanto prepara o terreno para uma transformação completa a longo prazo. FASE 1 – O IMPULSO DE CURTO PRAZO (PRIMEIROS 12 MESES)  - Nos próximos 12 meses, todas as distribuidoras de energia elétrica deverão instalar um número adicional de medidores inteligentes correspondente a 4% das suas Unidades Consumidoras (UCs). Estima-se que esta ação inicial implemente cerca de 3,6 milhões de novos medidores em todo o Brasil. A meta é considerada bastante realista, visto que concessionárias como a Enel SP e a Copel já superaram este percentual nas suas áreas. A escolha das UCs que receberão os primeiros medidores será estratégica, priorizando áreas onde a tecnologia possa gerar os maiores benefícios, como locais com potencial para redução do consumo, dos custos operacionais e das perdas não técnicas. FASE 2 – A VISÃO DE LONGO PRAZO  - Paralelamente, no mesmo período de 12 meses, as distribuidoras deverão realizar e apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) uma Análise de Custo-Benefício (ACB) detalhada sobre a implementação massiva de medidores inteligentes em toda a sua área de concessão. Se a análise for positiva, a empresa será obrigada a prosseguir com a implementação em larga escala ao longo da década seguinte. O que Torna um Medidor "Inteligente"? A nova regulamentação define um conjunto de funcionalidades mínimas que transformam um simples medidor numa poderosa ferramenta de gestão e empoderamento. As principais características incluem: Operações Remotas : Leitura de dados, assim como o corte e religamento dos serviços à distância, o que elimina a necessidade de visitas presenciais e agiliza o serviço. Empoderamento do Consumidor : Acesso dos consumidores aos seus dados de consumo através de aplicações, ampliando o uso do Open Energy , permitindo uma melhor gestão do uso de energia e dos custos. Segurança e Eficiência : Os medidores terão alarmes anti-fraude (anti-tamper), mecanismos de cibersegurança e permitirão uma deteção mais rápida de falhas na rede. Suporte a Energias Renováveis : A medição de energia e potência ativas de forma bidirecional é uma funcionalidade crucial para integrar a geração distribuída, como painéis solares. Tarifas Avançadas : A tecnologia permitirá a aplicação de tarifas baseadas no horário de uso (com, no mínimo, 4 postos tarifários programáveis), incentivando os consumidores a deslocarem o consumo para horários de menor procura. Custos e Benefícios da Modernização. O governo reconhece que este esforço de modernização implica um investimento significativo, que será incorporado na base regulatória e refletido nas tarifas de energia. Uma análise inicial estima que a implementação obrigatória dos primeiros 4% poderão ter um impacto tarifário médio de 0,93%. Contudo, a Nota Técnica enquadra este valor não como um custo, mas como um investimento estratégico com elevado potencial de retorno. As economias a longo prazo, resultantes da redução de despesas operacionais e de perdas de energia, deverão traduzir-se num alívio tarifário futuro. Para mitigar o impacto inicial, a proposta permite o uso de fundos do Programa de Eficiência Energética (PEE). Esta proposta abrangente será submetida a uma consulta pública, permitindo que a sociedade, os agentes do setor e os consumidores contribuam para a versão final da regulamentação. Esta iniciativa representa um dos passos mais significativos dos últimos anos para modernizar a infraestrutura energética do Brasil, abrindo caminho para uma rede elétrica mais inteligente, eficiente e focada no consumidor. Por FREDERICO BOSCHIN Advogado Sócio – Ferrari Boschin Advogados e Diretor Executivo – Noale Energia. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – 2002; MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/RS) – 2007; Mestre em Direito Econômico pela Universidade de Lisboa (FDUL) – 2009; Pós Graduado em Engenharia de Energia pela PUC/RS – 2018; Pós Graduado em Regulação do Setor Elétrico pela UFRJ – 2024. Coordenador Regional (Santa Catarina) da Associação Brasileira de Energia Solar - ABSOLAR; Membro do Conselho de Infraestrutura (COINFRA) da Federação da Indústria do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS); Conselheiro Fiscal e Diretor de Energia Solar no Sindicato das Indústrias de Energias Renováveis do RS (SindienergiaRS); Professor do Curso de MBA em Energias Renováveis da PUC/RS – Disciplinas de Geração Distribuída; Professor do Curso de Pós-Graduação em Direito de Energia da PUC/MG – Disciplina de Geração Distribuída; Brasil Avança na Modernização do Setor Elétrico com a Implementação de Medidores Inteligentes

  • Setor de baterias ganha novo impulso com parceria estratégica entre empresas dos EUA e da Coreia do Sul

    O avanço das baterias de estado sólido acaba de ganhar um capítulo importante na indústria global de armazenamento de energia. Veículo de teste da Mercedes com bateria de estado sólido da Factorial | Imagem: Mercedes-Benz A norte-americana Factorial Energy , uma das startups mais avançadas na corrida por células de alta densidade energética, firmou um acordo de colaboração tecnológica com a sul-coreana Posco Future M , gigante na produção de materiais para baterias de próxima geração. A parceria mira o desenvolvimento de novos materiais catódicos e anódicos capazes de elevar o desempenho, a segurança e a viabilidade comercial das baterias de estado sólido tecnologia vista como o próximo salto no setor de veículos elétricos. Porque essa tecnologia é tão decisiva para o futuro dos veículos elétricos As baterias de estado sólido substituem os eletrólitos líquidos tradicionais por materiais sólidos, permitindo células mais compactas, com maior densidade energética e menor risco térmico. Isso se traduz em três avanços-chave para o consumidor final: Autonomia ampliada Carregamento mais rápido Níveis superiores de segurança Embora ainda em fase de pré-comercialização, demonstrações recentes da indústria reforçam o potencial dessa tecnologia. Em um teste recente, um veículo elétrico de luxo equipado com um protótipo de bateria de estado sólido percorreu mais de 1.200 quilômetros  sem recarga um salto considerável frente às autonomias comerciais atuais e um indicativo de como essa inovação pode redefinir padrões globais. Parceria com montadoras e demonstrações de escala O avanço da Factorial Energy tem atraído atenção de grandes montadoras. A empresa já mantém cooperação tecnológica com marcas globais e prepara, junto a uma das maiores fabricantes do mundo, uma frota demonstrativa de veículos equipados com baterias de estado sólido prevista para chegar às ruas em 2026 . Esse movimento indica que a indústria começa a migrar da fase de pesquisa para testes práticos de integração em plataformas automotivas, um marco considerado essencial para o início da produção em larga escala. O que representa a entrada da Posco Future M no projeto A Posco Future M é uma das maiores fornecedoras de materiais avançados para baterias no mundo. A empresa sul-coreana passou a integrar o ecossistema da Factorial após testes bem-sucedidos com amostras de materiais catódicos para estado sólido, que demonstraram desempenho acima do esperado. Com o novo memorando de entendimento, as duas empresas pretendem: Desenvolver materiais específicos para baterias de estado sólido de próxima geração Criar uma cadeia de suprimentos global robusta e integrada Reduzir custos de produção em escala industrial Acelerar o cronograma de comercialização dessa tecnologia Essa cooperação reforça a estratégia de ambas em consolidar liderança em um mercado que deve movimentar bilhões de dólares ao longo da próxima década. O que esperar para os próximos anos Embora ainda não exista previsão de entrada massiva das baterias de estado sólido no mercado consumidor, a aproximação entre desenvolvedores de tecnologia e fornecedores estratégicos sugere que a maturidade comercial está cada vez mais próxima. A parceria entre Factorial Energy e Posco Future M confirma que a indústria global está mobilizada para transformar as baterias de estado sólido em uma solução comercialmente viável e não apenas em uma promessa tecnológica. Para o setor automotivo e para a transição energética mundial, trata-se de um passo crucial rumo a veículos elétricos mais competitivos, seguros e com autonomia muito além das atuais barreiras técnicas. Setor de baterias ganha novo impulso com parceria estratégica entre empresas dos EUA e da Coreia do Sul

  • Colorado avança e impõe maior corte de emissões de gás já adotado por um estado americano

    Em uma decisão que pode redefinir o futuro do aquecimento residencial nos Estados Unidos, o Colorado aprovou um novo e rigoroso padrão de descarbonização para as concessionárias de gás natural. Colorado avança e impõe maior corte de emissões de gás já adotado por um estado americano A Comissão de Serviços Públicos (PUC) aprovou, por 2 votos a 1, a exigência de que as distribuidoras reduzam 41% das emissões até 2035 , tomando como base os níveis de 2015 um nível de ambição que supera todas as propostas anteriores e fortalece o compromisso do estado com a neutralidade climática até 2050. A meta chega em um momento decisivo para o setor de energia. Enquanto alguns estados ensaiam políticas de transição, o Colorado se torna o primeiro a transformar em regra o que especialistas consideram inevitável: a migração acelerada de sistemas de aquecimento para tecnologias elétricas de alta eficiência, como bombas de calor , acompanhadas de medidas massivas de eficiência energética. Por que a decisão é histórica O Colorado já havia instituído, em 2021, uma legislação que obriga as concessionárias a oferecer soluções de aquecimento com emissões cada vez menores. Mas o corte de 41% inaugura uma nova fase: pela primeira vez, os reguladores definem metas de médio prazo que exigem ações estruturais e imediatas do setor. As alternativas consideradas mais eficientes segundo análises técnicas apresentadas ao governo incluem: substituição de equipamentos a gás por sistemas elétricos de alta performance ampliação de programas de isolamento térmico uso de redes térmicas e projetos-piloto de geotermia planejamento mais rigoroso para reduzir dependência de novos dutos e infraestrutura fóssil Estudos oficiais do próprio estado indicam que cumprir a nova meta evitará a emissão de 45,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa  até 2035, além de reduzir poluentes atmosféricos que agravam asma, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. O impacto econômico estimado ultrapassa US$ 6 bilhões em benefícios e custos evitados . A disputa: metas conservadoras x ambição climática Durante o processo regulatório, as empresas de gás pressionaram por um corte bem menor entre 22% e 30% até 2035 argumentando que a eletrificação avançaria mais lentamente do que o previsto e poderia gerar custos extras aos consumidores. Essa proposta significaria, na prática, nenhum avanço adicional entre 2030 e 2035 . Órgãos estaduais inicialmente defenderam 41%, alinhados às obrigações da Lei de Aquecimento Limpo. Meses depois, suavizaram a recomendação para 31%. A Comissão, porém, decidiu restabelecer o nível mais robusto, destacando que a redução mais alta está de acordo com os requisitos legais e com a trajetória necessária para o estado alcançar emissões líquidas zero até meados do século. Impacto direto nas distribuidoras de gás A aprovação pressiona especialmente a Xcel Energy, maior distribuidora do estado, que mantém planos de investir mais de US$ 500 milhões por ano  na infraestrutura de gás entre 2025 e 2029 um volume superior ao que pretende destinar à expansão de programas de aquecimento limpo. Especialistas alertam que seguir ampliando redes de gás pode criar um passivo financeiro duradouro. À medida que parte dos consumidores migra para tecnologias elétricas, aqueles que permanecerem dependentes do gás podem enfrentar tarifas mais altas , já que os custos da infraestrutura seriam divididos entre um grupo menor de usuários. Um novo sinal para os EUA A decisão do Colorado surge num momento em que estados como Massachusetts e Maryland  desenvolvem suas próprias políticas de aquecimento limpo. O caso colorado se converte, agora, em referência nacional, mostrando que metas rigorosas podem ser implementadas ao mesmo tempo em que se promovem eficiência, inovação tecnológica e redução de custos públicos e privados. Enquanto isso, os incentivos federais para eletrificação residencial se aproximam do fim o que coloca ainda mais peso sobre decisões estaduais capazes de estruturar o mercado para a próxima década. O que vem pela frente As concessionárias devem apresentar planos detalhados de conformidade a cada quatro anos, e os próximos ciclos regulatórios definirão a velocidade real da transição. Embora o Colorado ainda não tenha antecipado metas além de 2035, os reguladores têm até 2032 para definir os padrões seguintes, que deverão aproximar o estado do compromisso de emissões zero até 2050 . O recado enviado pelo governo estadual é claro: o modelo tradicional baseado em gás fóssil está se tornando economicamente e ambientalmente insustentável. E os próximos anos serão decisivos para transformar o Colorado em um laboratório nacional da transição energética nas edificações. Colorado avança e impõe maior corte de emissões de gás já adotado por um estado americano

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